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CÂMBIO-Sem atuação do BC, dólar amplia perdas perto do fechamento

Por Danielle Fonseca

SÃO PAULO, 3 Mai (Reuters) – O dólar fechou em queda ante o real nesta quinta-feira, ampliando suas perdas perto do fechamento da sessão, no terceiro pregão seguido sem atuação do Banco Central e em meio à expectativa de mudanças nas regras de caderneta de poupança.

De acordo com operadores, o mercado também pode estar testando o patamar que o BC deve voltar a atuar por meio de leilões de compra de dólares, com a moeda ainda registrando uma correção após ter subido fortemente nas últimas duas sessões.

A moeda norte-americana encerrou com queda de 0,64 por cento nesta quinta-feira, cotada a 1,9123 real na venda. Durante a sessão, a moeda oscilou entre 1,9370 real e 1,9108 real. Apesar do recuo, foi mantida a maior cotação desde o fechamento de 17 de julho de 2009, quando a divisa atingiu 1,9280 real.

“Há certa especulação no real por conta das informações de mudanças na poupança e com o mercado tentando descobrir em que patamar o BC vai voltar a entrar, já que ele não deu sinal nesses últimos três dias”, disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Para Galhardo, pode já estar ocorrendo uma alteração de operações que tinham ganhos atrelados à Selic, chegando a refletir no câmbio. “Pode estar ocorrendo uma zeragem de operações. Vão desaparecer alguma operações que tinham ganhos com juros se a Selic ficar mais baixa”, disse.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve anunciar alterações nas regras da poupanças a partir das 18h, em Brasília, sendo que, mais cedo, a presidente Dilma Rousseff voltou a mostrar que deseja uma taxa de juros no Brasil mais baixa e compatível com as taxas vistas no exterior.

Segundo o esboço de medida provisória vista pela Reuters, e que foi apresentado pela presidente a líderes aliados nesta quinta-feira, a remuneração da poupança será alterada toda vez que a taxa básica de juros Selic estiver abaixo de 8,5 por cento ao ano. Atualmente, está em 9 por cento.

Em relação à atuação do BC, Galhardo acredita que pode ter ocorrido também uma correção da moeda depois de três dias sem intervenção da autoridade monetária.

A última vez que o BC fez um leilão de compra de dólares no mercado à vista foi na sexta-feira passada, quando a moeda subiu apenas 0,04 por cento. Na segunda-feira, a divisa norte-americana avançou 1,08 por cento, e, na quarta-feira, teve alta de 0,93 por cento.

Um economista que opera no mercado e prefere não ser identificado também vê o mercado aproveitando para registrar uma correção e ainda levanta dúvidas sobre a atuação do BC, que também pode não desejar um dólar muito valorizado e perto de 1,95 real.

“De repente, o mercado vê 1,95 real como uma banda informal para a moeda, e que chegando mais próximo disso, o BC poderia atuar até vendo dólares no mercado. Também acho que nos últimos três dias, com o BC sem atuar, diminui a pressão sobre o câmbio”, afirmou a fonte.

(Reportagem de Danielle Fonseca; Edição de Frederico Rosas)