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CÂMBIO-Dólar sobe mais de 1%, vai a R$1,98, com exterior e especulação

SÃO PAULO, 14 Mai (Reuters) – O dólar registrava alta superior a 1 por cento em relação ao real e atingia a maior cotação intradia em quase três anos nesta segunda-feira com temores sobre a situação política da Grécia abalando o apetite por risco dos investidores nas praças internacionais.

Operadores de mercado destacavam ainda um movimento especulativo em relação ao real. Segundo eles, os investidores estariam puxando a cotação do dólar para próximo de 2 reais para observar o comportamento do Banco Central no mercado de câmbio.

Às 11h28 (horário de Brasília), a moeda norte-americanaavançava 1,54 por cento, para 1,9862 real, a maior cotação intradia desde 13 de julho de 2009, quando a divisa chegou a 2,0110 real.

“O dólar está totalmente sintonizado com o mercado lá fora… e além disso a especulação ajuda muito a pontencializar esse ganho”, afirmou o operador de câmbio da Interbolsa do Brasil Ovidio Soares.

A crise política que a Grécia vive há uma semana tem causado temores sobre a possibilidade de o país deixar a zona do euro, uma vez que uma eleição inconclusiva deixou o Parlamento dividido entre os que defendem e os que são contra o pacote de 130 bilhões de euros de ajuda da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O operador destacou, no entanto, que a alta do dólar ante o real é mais acentuada do que em relação a outras moedas por causa de especulação dos investidores. “O mercado está louquinho para testar os 2 reais só para ver se o BC faz alguma coisa”, disse Soares.

Em relação a uma cesta de moedas, por exemplo, a divisa dos Estados Unidos tinha ganhos de cerca de 0,5 por cento.

Para o economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, além do movimento especulativo, as intervenções do BC no mercado de câmbio nos últimos meses afastava investidores do real, o que também puxava uma valorização mais acentuada.

“O mercado está punindo o real, pois acaba escolhendo investir em países onde não há intervenção no câmbio como no Brasil”, disse o economista-chefe.

A autoridade monetária voltou a intervir no mercado de câmbio no início de fevereiro, quando o dólar estava próximo de 1,70 real. Por meio de leilões de compra de dólares no mercado à vista, o BC -juntamente com a piora do cenário externo- levou a moeda para próximo de 1,90 real, e desde que a divisa encerrou acima desse patamar, em 30 de abril, o BC não atuou mais.

Muitos profissionais do mercado acreditam que a autoridade monetária poderá voltar a intervir no câmbio, mas dessa vez por meio de venda de dólares, caso a divisa ultrapasse a barreira de 2 reais, para evitar repasses à inflação.

No entanto, uma fonte da equipe econômica disse à Reuters na semana passada que mesmo que o dólar chegue a 2 reais não é suficiente para pressionar a inflação. A avaliação, feita dentro do governo, baseia-se sobretudo no cenário externo que, com a recente piora vinda da Grécia, tornou-se mais desinflacionário.

“Eu venho dizendo que acredito que o BC irá atuar na venda (de dólares) acima de 2 reais e mantenho essa posição”, disse Soares, da Interbolsa.

Santos, do BES Investimento, pensa que o BC poderá atuar com o dólar a 2 reais, mas para frear movimentos especulativos e distorções no mercado, e não por preocupações com inflação. “Os investidores vão testar esse patamar, mas o BC vai se pautar muito mais na forma como o dólar vai chegar (a 2 reais) do que num patamar fixo”, afirmou.(Reportagem de Natália Cacioli; Edição de Patrícia Duarte)