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CÂMBIO-Dólar sobe com medidas do BC e exterior

SÃO PAULO, 2 de março (Reuters) – Após a forte movimentação do governo e do Banco Central para tentar conter a valorização do real na quinta-feira, o dólar operava em alta ante a divisa brasileira nesta sessão, depois do anúncio do BC sobre limitações ao financiamento de exportações, ao mesmo tempo que seguia a tendência da divisa dos Estados Unidos no exterior.

Às 10h58 (horário de Brasília), o dólarera negociado a 1,7226 real para venda, em alta de 0,62 por cento.

Na noite de quinta-feira, o Banco Central informou que pagamentos antecipados de exportações para operações superiores a 360 dias pagarão Imposto sobre Operaçõs Financeiras (IOF) de 6 por cento. Antes, essa modalidade tinha prazo ilimitado sem taxação.

Para o diretor de câmbio da Pionner Corretora, João Medeiros, a medida do BC é prejudicial para os exportadores brasileiros e tem influência momentânea na cotação do dólar. “O mercado absorve (a medida) e daqui a uns dias o câmbio volta para baixo de 1,70 real”, disse.

No início da quinta-feira, o governo havia anunciado o aumento de dois para até três anos o prazo de incidência de alíquota do IOF de 6 por cento para empréstimos de empresas no exterior. No entanto, a medida não impediu a queda do dólar, uma vez que investidores esperavam uma medida mais agressiva.

“O governo está tentando estancar todas as entradas de dólares em excesso no país”, disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Ao comentar a primeira medida da véspera, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo continuará agindo para impedir uma valorização excessiva do real frente ao dólar, mas descartou ações para desestimular a aplicação de estrangeiros na bolsa de valores e tributos sobre investimentos estrangeiros diretos.

Na quinta-feira, a moeda norte-americana recuou 0,47 por cento, para 1,7120 real na venda, mesmo após a realização de dois leilões de compra de dólares no mercado à vista pelo Banco Central.

A alta do dólar acompanhava ainda o movimento da divisa dos Estados Unidos no exterior. Em relação a uma cesta de moedas , o dólar subia 0,65 por cento, enquanto o euro, golpeado por preocupações com a crise da dívida na Europa, registrava perdas de 0,72 cento, cotado a 1,3216 dólar.

“Hoje é um misto do exterior e das medidas do BC. Se não fossem as medidas, o dólar poderia estar subindo menos”, disse o operador de câmbio da corretora Renascença José Carlos Amado.(Por Natália Cacioli; Edição de José de Castro)