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CÂMBIO-Dólar fecha em alta ante real por incertezas com Europa

Por José de Castro

SÃO PAULO, 6 de dezembro (Reuters) – O dólar fechou em leve alta ante o real nesta terça-feira, refletindo o tom cauteloso no exterior ainda por incertezas relacionadas à crise de dívida na zona do euro.

A moeda norte-americana subiu 0,32 por cento, para 1,7975 real na venda. Ao longo da jornada, a cotação fez mínima de 1,7770 real na venda (-0,82 por cento) e máxima de 1,8000 real (+0,46 por cento).

“Lá fora está muito instável, tem todo um clima de dúvida com relação à reunião da União Europeia nesta semana”, afirmou o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel, acrescentando que o alerta da agência de classificação de risco Standard and Poor’s também afetou o sentimento do mercado.

Os líderes da UE vão se reunir na quinta e sexta-feira para discutir saídas para a crise de dívida da zona do euro. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, que chefiam as duas maiores potências do bloco, estão determinados a realizar mudanças no tratato da UE e punir países que descumprirem regras.

Há, no entanto, dúvidas quanto ao êxito das autoridades em chegar a um consenso, o que pode atrasar ainda mais uma solução para a crise, que já dura mais de dois anos.

O agravamento dos problemas na zona do euro levou a S&P a ameaçar 15 dos 17 países do bloco monetário -inclusive Alemanha e França- de um corte no rating, o que lançou ainda mais dúvidas sobre a eficácia dos esforços feitos até agora para conter a crise.

Para Battistel, o mercado de câmbio no Brasil deve seguir bastante atrelado aos desdobramentos no exterior. “A gente vai continuar vulnerável à aversão a risco. Basta piorar lá fora para o dólar firmar mais altas aqui”, completou.

Para a equipe de estrategistas para mercados emergentes do BNP Paribas, as incertezas no quadro internacional favorecem a oscilação do dólar numa “ampla faixa”, entre 1,70 real e 1,90 real nas próximas semanas e meses. Segundo os profissionais, no caso de o dólar atingir o teto desse intervalo, o Banco Central (BC) pode agir para conter a disparada da moeda.

Segundo operadores, os números sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre não chegaram a fazer preço no mercado de câmbio. A economia registrou crescimento zero entre julho e setembro na comparação com os três meses anteriores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009, quando houve retração de 1,7 por cento.

(Edição de Patrícia Duarte)