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CÂMBIO-Dólar cai 0,3% com expectativa de intervenção;exterior pesa

SÃO PAULO, 13 Jun (Reuters) – O dólar registrava queda frente ao real nesta quarta-feira, com os investidores cautelosos diante da expectativa de novas intervenções do Banco Central e também do governo brasileiro por meio de medidas, a fim de frear valorizações excessivas da moeda norte-americana.

Analistas destacavam ainda como fator de depreciação do dólar nesta sessão -no Brasil e no mundo- a possibilidade de mais estímulo monetário nos Estados Unidos após dados econômicos fracos no país.

Às 11h49 (horário de Brasília), o dólar recuava 0,37 por cento, para 2,0573 reais. Mais cedo, a moeda atingiu a mínima de 2,0518 reais.

Segundo o diretor de câmbio da Intercam Corretora, Jaime Ferreira, o dólar registrou taxas mais baixas no início da sessão pois investidores esperavam que o BC pudesse anunciar um leilão de swap tradicional -operação que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro- logo na abertura, dada a cotação de 2,05 reais da moeda.

Nas últimas sessões, o BC anunciou esses leilões quando o dólar estava próximo de tal nível, levando alguns investidores a acreditar que a autoridade monetária não gostaria de ver o dólar acima de 2,05 reais. No entanto, na véspera, o dólar fechou cotado a 2,0650 reais e o BC não atuou.

Ferreira destacou ainda que o mercado de câmbio brasileiro estava refletindo a possibilidade de o governo retirar algumas medidas que tomou quando o real estava se valorizando ante a moeda norte-americana.

Em entrevista ao jornal O Globo, O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que se a crise internacional se agravar, o governo pode retirar algumas medidas, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre empréstimos no exterior com prazo de até cinco anos.

Em março, quando o dólar estava cotado próximo a 1,70 real, o governo anunciou que o IOF com alíquota de 6 por cento passaria a valer também para os empréstimos no exterior com prazos de três a cinco anos. Até então, o IOF mais pesado incidia sobre as captações externas feitas com prazos de até três anos.

“O mercado ficou mais tranquilo com a possibilidade de anúncio de medidas pelo governo. Se tivermos ações mais flexíveis, o dólar deve recuar”, afirmou Ferreira.

ESTÍMULO NOS EUA

O cenário externo também influenciava o mercado de câmbio doméstico, de acordo com analistas, ao passo que aumentava a expectativa de anúncio de novos estímulos monetários nos Estados Unidos devido a dados fracos da economia norte-americana.

Nesta quarta-feira, por exemplo, o Departamento de Comércio informou que as vendas no varejo recuaram 0,2 por cento no país, depois de terem apresentado a mesma queda em abril. Esse foi o segundo mês seguido de retração, com recuo na demanda por materiais de construção e uma queda nos preços da gasolina pesando sobre as receitas nos postos de combustíveis.

“Os mercados latino-americanos estão ligeiramente positivos com a volta da especulação sobre um possível estímulo (monetário) nos Estados Unidos,” disse o chefe de estratégia do IDEAgobal, em Nova York, Enrique Alvarez.

Apostas que o Federal Reserve (banco central norte-americano) poderia lançar novas medidas para injetar liquidez no mercado estão crescendo à medida em que chega ao fim o atual programa para a redução de juros de curto prazo, a chamada “operação twist.”

Em relação a uma cesta de moedas, o dólar recuava 0,38 por cento, enquanto o euro subia 0,50 por cento ante a divisa dos Estados Unidos.(Reportagem de Natália Cacioli; reportagem adicional de Walter Brandimarte; Edição de Patrícia Duarte)