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CÂMBIO-Dólar avança 0,5% apesar de anúncio de leilão de swap

SÃO PAULO, 26 Jun (Reuters) – O dólar registrava alta ante o real na sessão desta terça-feira, mesmo após o Banco Central anunciar leilão de swap cambial tradicional pela primeira vez após dez sessões.

De acordo com analistas, o mercado não reagiu ao anúncio e manteve o movimento de ganhos porque os investidores aguardam o resultado do leilão, que será realizado na quarta-feira.

Às 12h32, a moeda norte-americana avançava 0,48 por cento, para 2,0760 reais.

“Como será amanhã (o leilão), os investidores vão aguardar para ver o resultado”, afirmou o estrategista-chefe do banco WestLB, Luciano Rostagno.

Segundo ele, o BC voltou a intervir nesta sessão porque omercado doméstico estava descolado do movimento da moeda norte-americana no exterior. Em relação a uma cesta de divisas , por exemplo, o dólar era operado praticamente estável, com oscilação positiva de 0,08 por cento.

Rostagno acredita que a aproximação do dólar do patamar de 2,10 reais também pode ter influenciado o anúncio do BC, já que em sessões anteriores o BC mostrou desconforto com tal nível.

A autoridade monetária não atuava no mercado de câmbio desde 11 de julho, quando o dólar registrou variação percentual positiva superior a 1 por cento.

Antes do anúncio, agentes de mercado chamavam a atenção para possíveis movimentos especulativos no câmbio, uma vez que a moeda norte-americana descolava-se da cena externa.

“Os investidores sempre tentam testar patamares de entrada do BC (no mercado de câmbio)”, afirmou o gerente da mesa financeira da H.Commcor, Luiz Henrique de Paula.

Além desse fator, Rostagno, do WestLB, destacou que os investidores continuavam cautelosos por causa das incertezas em relação à Europa antes da cúpula dos líderes da União Europeia (UE) na quinta e sexta-feira.

“O mercado continua em compasso de espera para ver o que vai acontecer na reunião dos líderes europeus”, afirmou o estrategista-chefe. “Isso deixa os investidores cautelosos em relação aos desdobramentos da crise europeia”, emendou.

Rostagno acrescentou ainda que a moeda brasileira sobre com a certa perda de atratividade do Brasil para os investidores estrangeiros, diante da continuidade da perspectiva de redução da taxa básica de juros -hoje em 8,50 por cento ao ano- e também de dados ruins, como os de inadimplência que foram divulgados mais cedo.(Reportagem de Natália Cacioli; Edição de Patrícia Duarte)