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Cade vê concentração em fusão de Kroton e Anhanguera

Segundo parecer do órgão antitruste, concorrência em 50 cidades está comprometida; decisão final ainda não foi tomada pelo tribunal

Por Da Redação 4 dez 2013, 16h43

A fusão das empresas de educação Kroton e Anhanguera, que criará uma gigante mundial no setor, representa riscos de concentração em mercados de ensino presencial e à distância no Brasil e pode exigir eventuais restrições, segundo parecer do órgão de defesa da concorrência no país, o Cade. De acordo com o documento, produzido pela Superintendência Geral do Cade, há “séria potencialidade de efeitos anticompetitivos em diversos mercados” decorrentes da fusão.

As ações das empresas abriram em forte queda nesta quarta-feira na BM&FBovespa. As da Anhanguera chegaram a recuar quase 8%, enquanto as da Kroton cederam 5,7% na mínima da sessão.

O entendimento da superintendência do Cade agora será levado ao tribunal do órgão em data a ser definida, quando poderão ser impostas condições ao negócio anunciado em abril. Se aprovada sem restrições, a união entre as companhias pode prejudicar a concorrência em mais de 50 cidades, de acordo com o relatório.

“Trata-se de preocupações graves, na medida em que envolve provável queda significativa da concorrência nesses mercados, seja na forma de aumentos de preços, redução de oferta, queda de qualidade ou outros, com consequências diretas para um número elevado de alunos em todo o Brasil”, segundo o parecer.

Nos mercados em que há concentração, as instituições de ensino competidoras não seriam capazes de oferecer rivalidade suficiente, pois Kroton e Anhanguera possuem vantagens importantes em termos de captação de alunos, escala, catálogo de cursos, capilaridade de instituições e polos de ensino, preços, marketing e outras variáveis, de acordo com o documento do Cade.

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Em comunicado, as duas empresas afirmaram que tentarão buscar uma solução negociada para que sua união seja aprovada pelo tribunal do Cade, que, não necessariamente, precisa acatar as recomendações da superintendência do órgão. “Definitivamente, a notícia não é tão ruim quanto parece, mas as restrições são mais significativas do que antecipávamos. A notícia não sugere que a transação não seja concluída”, afirmou o Itaú BBA em relatório a clientes.

Em meados de outubro, o Cade já havia considerado a fusão de Kroton e Anhanguera complexa e determinado uma análise mais aprofundada da operação que criará um grupo com 1 milhão de alunos e 13 bilhões de reais, um dos maiores do mundo no setor educacional.

No parecer, a superintendência do Cade viu problemas em Jundiaí (SP), no mercado geográfico de Cuiabá/Várzea Grande (MT) e em Rondonópolis (MT), ressaltando que as instituições de ensino superior nesses municípios respondem por cerca de 12% do total de alunos das duas empresas no segmento de graduação presencial.

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Segundo Kroton e Anhanguera, no cenário municipal as recomendações do parecer indicam que uma eventual restrição no segmento de ensino presencial representaria 2,7% do total de alunos das companhias na graduação. No ensino à distância, haveria “necessidade de intervenção em 171 mercados/cursos, localizados em 55 municípios distintos”.

O parecer afirmou ainda que haveria um total acima de 50 mil alunos das empresas nos mercados mencionados. Isso representa entre 6 e 7% da base total de alunos de Anhanguera e Kroton em graduação à distância.

(com agência Reuters)

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