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Cade pretende intervir no mercado de cimentos

Por Célia Froufe e Eduardo Rodrigues

Brasília – Incomodado com a concentração do setor e a repercussão para a economia brasileira, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica pretende intervir no mercado de cimentos. A decisão foi anunciada na quarta-feira durante o julgamento de operações envolvendo Votorantim e Camargo Corrêa, entre outras empresas. Também estão em mãos do Cade o resultado da investigação de cartel do setor feito pela Secretaria de Direito Econômico (SDE), ligada ao Ministério da Justiça e que agora foi acoplada ao conselho.

“Seria interessante termos uma intervenção estrutural para lidar com os graves problemas concorrenciais do setor”, disse o conselheiro Ricardo Ruiz. Em resposta ao advogado da Camargo Corrêa, Lauro Celidônio, que avaliou a operação com a cimenteira portuguesa Cimpor como primordial para a competição no País, ao criar um “vice-campeão nacional”, Ruiz reforçou que o setor precisa ser “revisitado”.

Além disso, enfatizou que o caso julgado hoje até poderia estar solucionado, mas não os problemas das cimenteiras. “Não adianta termos um campeão e um vice-campeão, se isso resultar no fim do campeonato”, declarou Ruiz.

Para o presidente do Cade, Vinícius Carvalho, “cimento é o setor que legitima a existência de diversos órgãos antitruste do mundo. Não só pelas características e pelas investigações, e pelo que se te encontrado nessas investigações, mas pelo que desempenha nas economias dos países”.

Carvalho salientou que a decisão desta quarta-feira servirá como referência para os demais processos em trâmite no Cade. “Certamente o que vai acontecer daqui pra frente será alvo de análise desses processos também. Teremos uma atenção específica do Departamento de Estudos Econômicos sobre esse tema para subsidiar os próximos julgamentos.”

A promessa de uma radiografia do setor de cimentos não é nova. Quando estava debruçado sobre a movimentação no mercado de fusões e aquisições de concreteiras, o Cade também decidiu fazer uma análise mais profunda sobre a área. Principalmente devido a impactos sobre as grandes obras do País por conta de eventos internacionais e em função do crescimento do mercado imobiliário brasileiro. Os resultados ainda não foram divulgados.