ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Burnham assume Reino Unido com economia frágil e perdas do Brexit

Novo primeiro-ministro promete governo pró-negócios, mas recebe país com baixo crescimento, inflação pressionada e produtividade afetada pela saída da UE

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 jul 2026, 09h35
Burnham assume Reino Unido com economia frágil e perdas do Brexit Priorizar nos meus resultados Google
Continua após a publicidade

Andy Burnham assumiu nesta segunda-feira, 20, o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido com a promessa de comandar um governo pró-negócios e elevar o padrão de vida da população. O trabalhista sucede Keir Starmer em um momento de crescimento econômico moderado, aumento dos custos de energia e efeitos persistentes do Brexit sobre o comércio e a produtividade britânicos.

A economia do Reino Unido cresceu 0,1% em maio, após recuar 0,1% em abril, segundo o Office for National Statistics (ONS), órgão oficial de estatísticas do país. O resultado foi sustentado pelo setor de serviços, que avançou 0,3% no mês. A produção industrial caiu 0,5%, enquanto a construção recuou 0,8%.

No trimestre encerrado em maio, o Produto Interno Bruto (PIB) britânico avançou 0,7% em relação aos três meses anteriores. Na comparação anual, a economia cresceu 1,3%, o melhor resultado em dez meses. Os dados indicam alguma recuperação depois de anos de baixo crescimento, mas ainda mostram diferenças relevantes entre os setores.

Continua após a publicidade

Em 2025, o PIB do Reino Unido cresceu 1,3%, depois de uma expansão de 1% em 2024. O desempenho por habitante foi mais fraco: o PIB per capita avançou 1,1% no ano passado, após cair 0,1% em 2024. No primeiro trimestre de 2026, houve alta de 0,6% na comparação com os três meses anteriores, de acordo com o ONS.

As perspectivas para os próximos meses permanecem limitadas. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê crescimento de 0,9% para o Reino Unido em 2026 e de 1,1% em 2027. A entidade estima ainda que a inflação alcance 3,7% neste ano, antes de recuar para 2,4% no próximo, e que a taxa de desemprego chegue a 5,5%.

Entre os fatores que pesam sobre a atividade estão a alta da energia decorrente do conflito no Oriente Médio, as taxas de juros ainda restritivas, o ajuste das contas públicas e a incerteza internacional. A interrupção do tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito negociados no mundo, encareceu combustíveis e outros custos de produção para empresas e famílias britânicas.

Continua após a publicidade

Burnham também terá de administrar os efeitos de longo prazo do Brexit. O Reino Unido deixou oficialmente a União Europeia em 2020, quatro anos depois do referendo em que a maioria dos eleitores apoiou a saída do bloco. A mudança criou novas barreiras comerciais, exigências alfandegárias e custos administrativos nas relações com o principal mercado externo britânico.

O Office for Budget Responsibility (OBR), órgão independente responsável pelas projeções fiscais do governo, estima que o Brexit reduzirá em 15% as importações e exportações britânicas no longo prazo, na comparação com um cenário em que o país tivesse permanecido na União Europeia. O efeito esperado é uma redução de 4% na produtividade potencial da economia, com impacto integral ao longo de quinze anos.

Essas estimativas não significam que toda a perda de crescimento registrada desde o referendo tenha sido causada pelo Brexit. Durante o período, o país também enfrentou a pandemia, a crise energética provocada pela guerra na Ucrânia, inflação elevada e aumento dos juros. Ainda assim, o OBR mantém a avaliação de que a saída do bloco europeu deixou uma perda estrutural para o comércio e para a capacidade produtiva do Reino Unido.

Continua após a publicidade

Ao prometer uma gestão pró-negócios, Burnham procura responder à cautela do setor privado diante das mudanças políticas. Ele é o sétimo primeiro-ministro britânico em dez anos. A OCDE recomendou que o novo governo preserve a disciplina fiscal, enfrente os preços elevados da energia e adote medidas para aumentar os investimentos e a produtividade.

Continua após a publicidade
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).