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BRB traça plano de capitalização e prevê conclusão até o fim de maio

Banco Central fixou 5 de agosto como prazo para instituição financeira concluir sua capitalização

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 abr 2026, 08h51 | Atualizado em 1 abr 2026, 09h10
BRB traça plano de capitalização e prevê conclusão até o fim de maio Priorize VEJA no Google

O Banco de Brasília (BRB) divulgou uma série de fatos relevantes na noite desta terça-feira, 31, após adiar a publicação do balanço do quarto trimestre de 2025. A apresentação das demonstrações financeiras acompanhadas de um plano factível de capitalização era vista como condição essencial para afastar o risco de uma eventual liquidação pelo Banco Central. Sem divulgar os números, o banco optou por apresentar uma estratégia para reforçar o capital até o fim de maio.

No primeiro fato relevante, o BRB informou que a divulgação das demonstrações financeiras do terceiro e do quarto trimestres de 2025 será postergada em razão da necessidade de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apurar os eventos relacionados à operação “Compliance Zero”.

“A medida visa assegurar a fidedignidade, transparência e integridade das demonstrações financeiras, em observância aos deveres legais e fiduciários da Administração e à proteção dos interesses da Companhia e de seus acionistas”, afirmou o banco em nota.

A instituição não informou uma nova data para a publicação do balanço. Disse apenas que o tema voltará a ser analisado assim que forem concluídas as avaliações e providências em curso, mediante convocação específica para a continuidade da Assembleia Geral Ordinária.

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Enquanto posterga a divulgação dos números, o BRB tenta viabilizar um plano para cobrir o rombo estimado em 12 bilhões de reais, decorrente da compra de carteiras de crédito do Banco Master que, segundo apuração, estavam em sua maioria sem lastro. A estratégia desenhada pelo banco inclui:

  • Empréstimo de 4 bilhões de reais via Fundo Garantidor de Crédito (FGC);
  • Captação de outros 4 bilhões de reais com um sindicato de bancos;
  • Criação de um fundo de investimento imobiliário (FII) com terrenos públicos;
  • Venda de participações em subsidiárias do BRB;
  • Alienação de ativos saudáveis do Banco Master.
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O Banco Central estabeleceu 5 de agosto como data-limite para a conclusão desse plano. Ainda assim, o BRB reiterou à imprensa que pretende encerrar essa etapa até o fim de maio. Do ponto de vista formal, a liquidação da instituição já poderia ser considerada juridicamente possível a partir desta quarta-feira, 1º, justamente porque o banco não apresentou o balanço dentro do prazo esperado.

Apesar disso, analistas ouvidos por VEJA consideram improvável que o Banco Central adote uma medida tão drástica neste momento. O principal motivo é o custo que uma eventual liquidação do BRB imporia ao sistema financeiro. Dados disponíveis no site do Banco Central, referentes a setembro de 2025, mostram que o banco possui 52 bilhões de reais em depósitos, entre recursos à vista, aplicações a prazo e poupança.

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Como esses valores são cobertos pelo FGC, uma liquidação poderia gerar ao fundo um custo potencial muito superior ao valor do empréstimo solicitado pelo banco, de 4 bilhões de reais.

Esse pedido, aliás, avançou nesta semana. Conforme publicado pelo Radar Econômico, o FGC solicitou a documentação necessária para dar continuidade à etapa preliminar do processo de empréstimo. Para analistas, o movimento foi interpretado como um sinal importante de que há disposição para buscar uma solução menos traumática.

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A leitura predominante no mercado é que, do ponto de vista financeiro, socorrer o BRB tende a ser mais barato do que liquidá-lo. “Uma saída estruturada, que pode envolver capitalização pelo próprio controlador, venda de ativos e parcerias com o setor privado, é o caminho que preserva valor. A liquidação imediata destruiria esse valor e geraria um ruído desnecessário”, afirma Pedro Abrão, advogado especialista em instituições financeiras e de pagamento.

Dentro dos prazos estabelecidos pelo banco e pelo próprio Banco Central, a consequência mais imediata e concreta para o BRB neste momento seria uma sanção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pelo atraso na divulgação do balanço.

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A penalidade pode incluir multa diária, embora os valores dessa eventual punição ainda não tenham sido informados pela autarquia. Em um cenário mais extremo, caso a instituição permaneça um ano sem divulgar as demonstrações financeiras, poderá até ter o registro de companhia aberta suspenso.

Esse cenário, no entanto, é algo remoto, pois o banco quer aumentar a oferta de ações. Em outro fato relevante divulgado também na noite desta terça-feira, 31, o BRB convocou uma assembleia geral de acionistas para 22 de abril de 2026, com o objetivo de aprovar um aumento de capital. Na mesma reunião, os acionistas também deverão deliberar sobre a indicação de Nelson Antônio de Souza e Joaquim Lima de Oliveira para o Conselho de Administração da instituição.

Em suma, o BRB atravessa uma de suas fases mais delicadas e, do ponto de vista legal, uma liquidação pelo Banco Central não está descartada. Ainda assim, a avaliação predominante é que os custos e os efeitos sistêmicos de uma intervenção desse porte seriam mais danosos ao mercado do que a concessão de mais tempo para que o banco execute seu plano de capitalização — que, segundo a própria instituição, deve ser concluído até o fim de maio.

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