BRB desiste de operação de R$ 15 bilhões com a Quadra Capital
Banco afirma que divergências sobre as condições econômicas inviabilizaram o acordo
O Banco de Brasília (BRB) encerrou as negociações com a gestora Quadra Capital para a transferência de até R$ 15 bilhões em ativos ligados às operações realizadas com o Banco Master.
A decisão, anunciada nesta sexta-feira (17), representa uma mudança relevante na estratégia do banco para enfrentar a maior crise financeira de sua história recente.
Em comunicado ao mercado, o BRB informou que as tratativas foram encerradas “de forma consensual”, após o fim do prazo previsto para as negociações.
Segundo a instituição, as partes não chegaram a um entendimento sobre os parâmetros econômicos e financeiros da operação, o que levou ao cancelamento do memorando de entendimento firmado em abril.
Com o fim das negociações, o banco afirmou que passará a conduzir diretamente a gestão e a venda desses ativos no mercado.
“O BRB optou por conduzir diretamente o processo de gestão e recolocação desses ativos no mercado, estratégia que reforça sua atuação prudente, seu compromisso com a geração de valor e a defesa dos interesses de seus acionistas”, afirmou a instituição.
O banco também reiterou que mantém posição de liquidez considerada adequada e capacidade operacional para executar seu plano de negócios.
Operação buscava aliviar pressão sobre o balanço
Anunciada em abril, a parceria com a Quadra Capital era vista como uma das principais iniciativas para reorganizar o balanço do BRB após a crise envolvendo o Banco Master.
O modelo previa a criação de um fundo de investimento para receber ativos originados das operações entre os dois bancos, em um volume estimado de até R$ 15 bilhões.
Pela estrutura desenhada, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões seriam pagos imediatamente ao BRB, enquanto o restante seria convertido em cotas subordinadas do fundo, responsável por administrar e monetizar esses ativos ao longo do tempo. O objetivo era fortalecer a estrutura de capital, melhorar a liquidez e reduzir a exposição do banco aos ativos herdados do Master.
Embora o memorando já tivesse sido assinado, a conclusão da operação dependia do cumprimento de diversas condições previstas no contrato e da ausência de objeções por parte do Banco Central.
Negociação fracassa em meio à maior crise da história do BRB
O cancelamento ocorre em um momento delicado para o banco estatal do Distrito Federal.
As dificuldades começaram após a revelação de que, entre 2024 e 2025, o BRB adquiriu cerca de R$ 30 bilhões em ativos do Banco Master. Auditorias posteriores identificaram que parte relevante dessas operações envolvia créditos considerados inexistentes, fraudulentos ou de recuperação altamente incerta.
Segundo estimativas divulgadas pelo próprio banco, R$ 8,8 bilhões estariam relacionados a ativos problemáticos. O Governo do Distrito Federal calcula recuperar aproximadamente R$ 2,2 bilhões, mas ainda precisaria cobrir cerca de R$ 6,6 bilhões, motivo pelo qual negociou uma operação de crédito respaldada por acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF). A lei autorizando essa operação foi sancionada em junho.
Investigação da PF atingiu ex-presidente do banco
A crise financeira veio acompanhada de uma investigação criminal.
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master.
Em abril deste ano, a quarta fase da operação levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, suspeito de participação em negociações consideradas irregulares e de ter autorizado operações sem garantias suficientes e fora dos padrões de governança. A defesa nega as acusações.
Mercado acompanha próximos passos
O fracasso da negociação com a Quadra elimina, ao menos por enquanto, uma das principais alternativas encontradas pelo BRB para acelerar a redução de sua exposição aos ativos ligados ao Banco Master.
Segundo informações publicadas nesta sexta-feira, a desistência da operação aumentou a preocupação entre agentes do mercado, uma vez que o acordo era visto como importante para aliviar a pressão sobre o balanço da instituição. Com o negócio encerrado, caberá ao próprio BRB buscar compradores e administrar diretamente a alienação dos ativos, em um processo que pode levar mais tempo e depender das condições de mercado.







