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Braskem pode rever projetos se situação global piorar

Por André Magnabosco

São Paulo – O presidente da Braskem, Carlos Fadigas, afirmou hoje que o momento da economia global exige cautela e que, na eventualidade de a situação se agravar, os projetos de longo prazo da petroquímica podem ser revistos. “Nosso plano de investimentos segue, mas antes de aprovarmos cada projeto vamos parar para analisá-lo”, afirmou o executivo, em entrevista coletiva.

O plano de investimentos da companhia para este ano, de R$ 1,6 bilhão, por sua vez, permanece inalterado. Isso porque ele está relacionado principalmente a projetos de curto prazo, voltados para atender o mercado doméstico. É o caso da fábrica de butadieno, que demandará R$ 300 milhões e entrará em operação em 2013, e a fábrica de PVC em Alagoas, cujo investimento previsto é de US$ 470 milhões e o início das operações deverá ocorrer em maio de 2012. Segundo o Fadigas, esses projetos são voltados para atender o mercado interno e apresentam rentabilidade muito boa.

Outro projeto que já demanda recursos importantes é a construção de um polo no México. O projeto deverá entrar em operação entre o final de 2014 e o começo de 2015. A engenharia do complexo deverá estar concluída até o final deste ano. Já a engenharia financeira do projeto, estimado em US$ 2,5 bilhões, deverá ser finalizada entre o final de 2011 e o começo de 2012.

Ainda na América do Norte, Fadigas destacou que a companhia continua atenta a oportunidades para construção de fábricas ou aquisições. A incorporação dos ativos adquiridos junto à Dow Chemical deverá ocorrer entre o final de setembro e o início de outubro, mesmo prazo dado ao pagamento da operação.

Recursos

Por conta das preocupações com a crise na economia mundial, a companhia optará por manter uma linha de stand by no valor de US$ 250 milhões, contratada neste mês e que inicialmente seria utilizada para o pré-pagamento de dívidas vincendas. Esta é a segunda linha de recursos em stand by contratada pela Braskem em um ano. Em setembro do ano passado a petroquímica havia contratado linha semelhante, com recursos de US$ 350 milhões e prazo de três anos. A linha contratada desta vez tem prazo de cinco anos e condições melhores do que aquelas fechadas anteriormente.

Redução de custos

O presidente da Braskem revelou que a companhia pretende capturar entre R$ 120 milhões e R$ 140 milhões em programas complementares de sinergias e reduções de custos neste ano. O montante, somado à previsão da companhia de capturar sinergias de R$ 377 milhões em Ebtida anual e recorrente em 2011, pode resultar em ganhos totais de aproximadamente R$ 500 milhões no ano.

Preços

Fadigas afirmou também que os preços da cadeia petroquímica devem apresentar retração no terceiro trimestre. Evitando dar uma projeção exata, o executivo destacou que essa variação poderia girar em torno de 5%. A queda deverá ocorrer nos preços das matérias-primas – a nafta é o principal insumo da Braskem – e das resinas produzidas pela companhia brasileira. A explicação para a queda é a variação dos preços do petróleo nas últimas semanas.