Braskem corta dívida no México, mas Chapter 11 ainda traz pressão para a controladora
Reestruturação da Idesa prevê redução de mais de US$ 920 milhões da dívida, mas exige contribuição de até US$ 476 milhões da Braskem
A entrada da Braskem Idesa em Chapter 11 nos Estados Unidos reduz parte da incerteza em torno da operação mexicana, mas está longe de representar uma solução para os problemas financeiros da Braskem. A subsidiária chegou à recuperação com um acordo pré-negociado com credores para cortar mais de US$ 920 milhões de sua dívida, mas a operação exigirá uma contribuição de até US$ 350 milhões da controladora brasileira. Outros US$ 126 milhões já foram aportados — totalizando US$ 476 milhões.
Pelo acordo, a dívida sênior da Idesa cairá de cerca de US$ 2,5 bilhões para US$ 1,6 bilhão. A Braskem seguirá como acionista controladora e o Grupo Idesa continuará como principal minoritário. A expectativa é concluir a recuperação entre 60 e 90 dias.
A redução da dívida mexicana, porém, tem efeito limitado sobre a principal preocupação dos investidores da Braskem. No segundo trimestre, a companhia reportou US$ 10,3 bilhões de dívida corporativa bruta e US$ 9,5 bilhões de dívida líquida ajustada, números que já excluem as dívidas da Braskem Idesa e da TQPM.
Isso significa que o corte de US$ 920 milhões anunciado no México não representa uma redução equivalente na dívida que hoje pressiona a controladora. Ao mesmo tempo, a Braskem precisará direcionar recursos à subsidiária em um momento em que enfrenta alavancagem elevada e negocia sua própria estrutura de capital.
Para as ações, o pedido elimina parte do risco de uma recuperação desorganizada ou litigiosa da Idesa, mas traz pouca mudança para o problema central da companhia. A Braskem consegue colocar a subsidiária mexicana em uma rota de reestruturação, mas continua convivendo com uma dívida elevada na controladora e ainda terá de financiar parte relevante dessa saída.







