Brasileiros passam a negociar dívidas antes que elas envelheçam
Levantamento mostra aumento dos acordos em débitos com até 90 dias de atraso, enquanto canais digitais ganham espaço na recuperação de crédito
Os brasileiros estão mudando a forma como lidam com as dívidas. Em vez de esperar meses para renegociar débitos em atraso, consumidores têm buscado acordos cada vez mais cedo, movimento que também vem alterando a estratégia das empresas de recuperação de crédito.
Um levantamento da plataforma Pagou Fácil, da Paschoalotto, mostra que 81,26% da carteira administrada pela empresa em 2026 é composta por dívidas com até 90 dias de atraso. O percentual supera os 80,17% registrados em 2025 e representa um avanço expressivo em relação a 2024, quando essa fatia era de 70,45%. Como consequência, a participação das dívidas com mais de 90 dias caiu de 29,55% para 18,74%.
Segundo a empresa, o movimento indica uma mudança tanto por parte dos consumidores quanto dos credores, que passaram a buscar soluções antes que os débitos se tornem mais difíceis de recuperar. “Os dados mostram que consumidores estão buscando acordos antes que a dívida se torne um problema ainda maior, enquanto as empresas também têm investido em abordagens mais ágeis e personalizadas. Quanto mais cedo acontece a negociação, maiores são as chances de um acordo sustentável para ambos os lados”, afirma Diego Martins Mosquim, diretor de Planejamento e Qualidade da Paschoalotto.
Dívidas recentes concentram os acordos
A tendência aparece tanto nas operações com garantia quanto naquelas sem garantia. Nas carteiras sem garantia, 81,18% das negociações envolvem débitos com até 90 dias de atraso. Já nas operações com garantia, essa participação chega a 87,57%, indicando que a antecipação da negociação se tornou uma prática recorrente em diferentes modalidades de crédito.
O levantamento também aponta diferenças na forma de pagamento. Entre as operações sem garantia, 54,87% dos acordos são quitados à vista, enquanto 45,13% são parcelados. Nas operações com garantia, predominam as atualizações contratuais, responsáveis por quase 65% dos acordos.
Outro movimento observado é o avanço dos canais digitais na recuperação de crédito. Em junho, 38,7% dos pagamentos foram realizados por meios digitais, percentual que mantém trajetória de crescimento nos últimos meses e reforça a preferência dos consumidores por soluções que oferecem rapidez e disponibilidade a qualquer hora.
O ticket médio das negociações permaneceu relativamente estável. Nas operações sem garantia, o valor médio das dívidas quitadas ficou em torno de 275 reais. Já nas operações com garantia, o montante médio foi de aproximadamente 1.840 reais.
Apesar da maior disposição para negociar, a capacidade de pagamento das famílias ainda depende principalmente da renda. Segundo o levantamento, o atraso no recebimento de salários ou rendimentos responde por 45,13% dos casos de inadimplência. Em seguida aparecem o desemprego (19,61%) e o endividamento (18,38%). A empresa também destaca que, embora as projeções para 2026 indiquem desaceleração da inflação, a expectativa de aumento gradual do desemprego e oscilações na inadimplência ainda devem influenciar o comportamento de consumidores e empresas ao longo do ano.







