Clique e Assine VEJA por R$ 9,90/mês
Continua após publicidade

“Brasil sempre tropeça nas próprias pernas”, diz economista da Austin

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings, alerta para dificuldades do cenário político

Por Pedro Gil 28 ago 2023, 09h47

Com o início da queda de juros, safra recorde de soja, aprovação da reforma tributária na Câmara dos Deputados e o próprio arcabouço fiscal, aprovado na semana passada, o mercado começou a ajustar expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Analistas, que em janeiro previam crescimento de 0,8% da economia em 2023, agora já falam em 2,3%.

Em julho, a Austin Ratings melhorou a perspectiva de rating soberano do Brasil porque um dos entraves, que era a questão fiscal, melhorou com a aprovação do arcabouço fiscal. A casa preferiu manter inalterada a nota de crédito do Brasil em BB+, dado o histórico do país em tropeçar nas próprias pernas. “O Brasil sofre constantemente porque na maior parte do tempo a política interfere no ambiente econômico”, lamenta Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings. 

Em entrevista a VEJA, Agostini diz que o Brasil sofre “constantemente” com a agenda política e que, não fosse por isso, o crescimento do PIB neste ano seria ainda maior.

A Austin Ratings manteve inalterada a nota de crédito do Brasil, apesar de melhorar a perspectiva. Por quê? Historicamente, o Brasil sempre tropeça nas próprias pernas. O que a gente vê é que o mundo pode até sofrer momentaneamente com crises econômicas, mas o Brasil sofre constantemente porque na maior parte do tempo o ambiente político interfere no ambiente econômico. Se não interferisse, o crescimento do PIB neste ano seria muito maior. Em julho, a Austin melhorou a perspectiva de rating soberano e esse relativo otimismo com a economia brasileira foi justamente porque um dos entraves da melhora do rating, que é questão fiscal, tem uma perspectiva de médio e longo prazo ainda melhor do que estamos vendo agora. Adicionalmente, temos inflação mais baixa e juros caindo. Isso nos motivou.

Continua após a publicidade

De que forma a agenda política atrapalha a pauta econômica? Na Austin não melhoramos a nota, só a perspectiva, justamente por esse lado subjetivo de ambiente político. Fisiologismo faz parte da pauta política e do jogo, o problema é que isso impede o lado econômico. As negociações entre Congresso e Executivo não se resolvem rapidamente. Ano que vem se formam as bases eleitorais para as eleições de 2026 com dinheiro das emendas parlamentares. O congresso afrouxou a corda no início do ano, mas agora está fazendo tensionando novamente para chegar ao que eles querem. E se não aprovasse o arcabouço? Esse cenário de otimismo começaria a dar lugar a algum pessimismo.

Após aprovação do arcabouço, o próximo desafio será a reforma tributária. O que esperar desse cenário? Sabemos que a reforma tributária vai ser um pouco mais lento e isso é oneroso para a economia. Se não acelerar e chegar num consenso, a gente vai tirando potencial de investimento no ano que vem porque tira espaço do momento de otimismo dos investidores e começa a dar espaço para pessimismo, gerando menor espaço para investimento e geração de emprego.

A nota BB+ pode ser considerada boa para um país do tamanho do Brasil? Em 2022, reafirmamos essa nota, mas em julho melhoramos a perspectiva de estável para positiva. A nota do Brasil na Austin está em um nível acima do que demais agências, justamente porque acompanhamos o cenário aqui mais de perto.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 9,90/mês*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 49,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.