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Brasil precisa investir R$ 100 bi ao ano em infraestrutura

País teria de investir 2,5 trilhões de reais adicionais nos próximos 25 anos para alcançar investimentos no setor de 4% do PIB, o mínimo necessário para chegar a um nível razoável de modernização

O pacote de concessões lançado pelo governo federal na última quarta-feira foi um passo importante para o desenvolvimento da infraestrutura do país, mas ainda insuficiente. O Brasil precisaria investir R$ 2,5 trilhões adicionais nos próximos 25 anos para dobrar o nível de investimentos no setor dos atuais 2% para 4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo cálculos do economista Cláudio Frischtak, da Inter.B Consultoria.

O pacote de 133 bilhões de reais corresponde a apenas 6% disso. A relação investimento/PIB de 4% é, segundo o economista, o mínimo necessário para modernizar razoavelmente o país. Na ponta do lápis, seriam 100 bilhões a mais por ano, além dos 85 bilhões de 2011. Os próximos anúncios de concessões, em áreas como portos e aeroportos, terão de ser mais ousados para que o plano faça diferença. Isso sem levar em conta possíveis percalços regulatórios, de execução e detalhamento desses contratos.

“O pacote foi um passo fundamental por romper a inércia e do ponto de vista psicológico. Incluir o setor privado é importante. Até há pouco tempo, a impressão era de uma posição cada vez mais estatizante, o que gerava um mal-estar com o empresariado”, diz Frischtak, que destaca o pragmatismo da presidente Dilma Rousseff.

Defasagem – Estudo recente do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) calcula em 985,4 bilhões de reais a defasagem entre a infraestrutura de transporte do Brasil e a dos Estados Unidos. O que significa que, investindo 100 bilhões por ano, o país levaria quase uma década para alcançar o padrão atual americano. Um problema destacado pelo especialista Paulo Fleury, diretor do Ilos, é a grande participação do modal rodoviário na infraestrutura de transporte nacional.

O gastos vêm caindo nas três últimas décadas. Entre 2001 e 2011, o Brasil investiu, em média, apenas 2,15% do PIB no setor, somando 595 bilhões de reais. Desse total, 59% foram para o já privatizado setor de telecomunicações. Os modais rodoviário e ferroviário receberam 26% – o que representa 155,7 bilhões de reais, mais do que os 133 bilhões do pacote atual -, enquanto portos e aeroportos receberam 3,3%.

Na década encerrada em 2000, a fatia para infraestrutura chegou a 2,29%, um recuo ante os 3,62% entre 1981 e 1989. O auge de aportes ocorreu entre 1971 e 1980 – 5,42% do PIB -, antes da crise financeira e fiscal dos anos 80. Em resumo, há mais de 20 anos a taxa de investimento em infraestrutura oscila de 2% a 2,5% do PIB por ano.

(Com Agência Estado)