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Brasil paga juros menores que Itália e Espanha

Títulos do Tesouro que vencem em 2021 pagarão 3,45% ao ano; papéis italianos e espanhóis semelhantes arcarão com, respectivamente, 6,85% e 5,21%

O Brasil saiu-se melhor que a Itália e a Espanha na captação de recursos no mercado internacional realizada nos últimos dois dias. Os dois países europeus estão em meio à crise da dívida que abala o velho continente. Ainda que não esteja imune às turbulências internacionais, o Brasil surpreendeu. O desempenho dos papéis do Tesouro Nacional superou seu próprio recorde de juro baixo.

Na busca de recursos em um mercado com pouca oferta, o governo brasileiro comprometeu-se a pagar uma taxa anual de 3,449% ao investidor que comprasse o título do país com vencimento em 2021, cotado em dólar. Esse foi o menor porcentual da história das emissões nacionais. Já a Itália teve que desembolsar o dobro (6,85% ao ano) para um papel em condições similares. No caso da Espanha, a taxa de retorno para o comprador saiu a 5,21% ao ano.

Essa diferença significa que o investidor está mais seguro que o Brasil honrará seus compromissos. A taxa doméstica ficou próxima também da francesa (3,27% ao ano), mas ainda está muito distante de países mais tradicionais como a Alemanha, por exemplo, que consegue captar pagando apenas 1,89% ao ano aos aplicadores.

Com a oferta dos papéis, o país conseguiu arrecadar 825 milhões de dólares, anunciou nesta quarta-feira o Ministério da Fazenda. Nesta terça, foram captados 750 milhões de dólares da Europa e dos Estados Unidos e, na madrugada de quarta, 75 milhões de dólares da Ásia. O apetite por “comprar Brasil”, no entanto, estava ainda maior.

De acordo com o Itaú BBA (um dos bancos coordenadores da transação), a procura por títulos brasileiros superou em aproximadamente sete vezes o volume inicialmente projetado, chegando a 3,5 bilhões de dólares.

Um dos objetivos do Tesouro Nacional com essa emissão é ajudar as companhias brasileiras que buscam recursos no exterior. As ofertas de títulos do governo servem como referência, em relação a juros e volume, para o setor privado, que vinha encontrado dificuldades para acessar o mercado internacional. Com a crise, o crédito tornou-se raro e caro.

(com Agência Estado)