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Brasil não surpreende o mundo: PIB na Covid é baixo em ranking

Brasil cresceu 0,4% de 2019 para 2021, e ficou apenas na 29a posição entre as 52 maiores economias do planeta

Por Carlos Valim Atualizado em 28 mar 2022, 18h29 - Publicado em 28 mar 2022, 16h11

Com os resultados do PIB anual de 2021 da maior parte dos países já tendo sido anunciados, é possível saber quais economias passaram melhor pela pandemia de Covid-19, que se iniciou em fevereiro de 2020 e afetou fortemente quase todo o planeta. É fato que impactos da pandemia ainda foram sentidos no primeiro trimestre deste ano, com a onda de ômicron atingindo dramaticamente diversos países, e devem se estender por mais tempo, mas os grandes efeitos econômicos da eclosão da Covid aconteceram principalmente durante 2020 e 2021 quase inteiros. Assim, uma comparação de como se recuperou o PIB de cada região em relação a 2019 serve como boa medida de como cada um lidou economicamente com esse imenso desafio sanitário.

Dessa forma, o Brasil ostentou ao fim de 2022 um PIB apenas 0,4% maior do que o de 2019. Isso o colocou na 29a posição dentre as 52 maiores economias do mundo, segundo estudo da Austin Rating a pedido de VEJA. É uma indicação de que tanto a questão sanitária, que já deixou 650 mil mortos por Covid (a segunda maior em números absolutos) quanto a econômica não trouxeram bons resultados. Dentre os 30 países desse ranking que conseguiram alguma expansão em dois anos, apenas a Bulgária cresceu menos do que o Brasil, com 0,2%. Ou seja, o país ficou até aqui muito longe daquilo que o ministro da Economia, Paulo Guedes muitas vezes disse que aconteceria: “o Brasil vai surpreender o mundo”. Apesar da recuperação do crescimento no segundo ano de pandemia, foi, na verdade, um resultado abaixo da maior parte do mundo. “O Brasil já vem há uma década crescendo pouco, crescendo em média 0,4% ao ano, de 2012 a 2021, enquanto o mundo crescia 3%”, comenta Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. “O mundo cresceu e o Brasil não, por que sempre temos problemas domésticos, políticos, principalmente, que se sobressaem aos problemas econômicos. E uma coisa alimenta a outra, gerando baixo nível de investimento de ganho de produtividade, gera risco inflacionário que estimula juros altos, e vemos sempre essa história se repetindo, por diversos governos. O Brasil sempre tem plano de curtíssimo prazo, com gestores trazendo planos de quatro ou oito anos, apenas para o tempo da gestão deles.”

Ter ficado no positivo pode ser considerado, no entanto, um bom resultado em comparação com diversos países europeus, atingidos logo depois que o coronavírus escapou da China e pegou o mundo desprevenido. Na zona do euro, a queda em relação a 2019 foi de 1,4%. O PIB do G7 ficou na estabilidade. E a Espanha — que viveu o terceiro epicentro da Covid no mundo, depois da China e da Itália, antes dele chegar às Américas — amargou a queda mais dramática, de 7%.

Mas, por outro lado, o Brasil registrou crescimento muito inferior ao bloco dos Brics como um todo, de 3,3%, e até mesmo do que os integrantes da OCDE, o grupo dos países ricos, com 0,6%. O melhor resultado dentre as 52 maiores economias foi o da Turquia, com 12,8%, seguida pela China (10,2%).

No começo da pandemia, houve acaloradas discussões pelo mundo se países que adotassem lockdown sofreriam mais economicamente do que quem deixasse o vírus circular. O ranking pode ajudar a dar uma luz à essa questão — mesmo que seja sempre temerário comparar economias diferentes, que podem ser afetadas por diversos outros fatores, como produtos exportados mais demandados em certa época e o mix de sua produção. No entanto, se compararmos economias relativamente parecidas como as dos países nórdicos é interessante notar que a Suécia (+1,7%), que, por exemplo, evitou ao máximo fechar as suas atividades, cresceu muito menos do que a Noruega (3,3%), mas mais do Dinamarca (0,6%) e Finlândia (0,4%). Ou seja, os resultados são pouco conclusivos.

O mais provável é que o mundo nunca tenha uma ideia definitiva sobre essas questões. Em entrevista a VEJA, o último ganhador do Nobel de Economia, David Card, criador de um método de pesquisa de campo em que se comparam situações parecidas para eliminar variáveis para e se focar apenas aquilo que se deseja saber, defende esta tese. “Por exemplo, para saber os reais impactos dos lockdowns na economia, alguém dirá que tal cidade esteve em lockdown e isso a prejudicou ou não em comparação a outra que não esteve. Muitas vezes o governo declara um lockdown, mas é difícil provar o que aconteceu ali. Onde vivo, dizem que tivemos uma resposta rigorosa contra a Covid. Na realidade, não foi bem assim”, disse. “Para medir isso, seria preciso ir para campo, registrando cuidadosamente a aplicação da lei — e isso não aconteceu. Em dez anos, não nos lembraremos mais, não teremos registros disso.”

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