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Brasil, México e Panamá: novos destinos trabalhistas para os jovens espanhóis

Por Da Redação 7 jun 2012, 11h03

Elizabeth López.

Madri, 7 jun (EFE).- Brasil, México e Panamá são os novos destinos trabalhistas possíveis para jovens espanhóis mais bem preparados e dispostos a buscar uma oportunidade ou desenvolver sua carreira profissional fora de seu país, além das nações tradicionalmente procuradas.

Países emergentes, como China e Índia, e a região do Oriente Médio somam-se às opções que se abrem para os espanhóis com perfil apropriado para as áreas industrial, comercial e das engenharias.

Setores tradicionais ligados ao desenvolvimento de infraestruturas e à construção, que passam por desaceleração na Espanha, oferecem boas perspectivas nesses países, segundo a empresa de consultoria Randstad, especializada em serviços globais de recursos humanos.

A prática de fazer as malas e partir para outro país ganhou força na Espanha nos últimos anos por causa da crise econômica, que causou grande queda na oferta de empregos.

Em maio, o país registrou mais de 4 milhões e 700 mil desempregados, segundo dados do Ministério do Emprego e Segurança Social, baseados nos registros de seus escritórios e publicados na segunda-feira passada.

O número, no entanto, é ainda maior na última Pesquisa da População Ativa (EPA), feita através de ligações para cerca de 65 mil domicílios: mais de 5 milhões e 600 mil inativos.

A escassez de postos de trabalho afeta especialmente os mais jovens: mais da metade deles não têm um emprego.

‘A incerteza vivida na Espanha está levando cada vez mais trabalhadores, especialmente os mais jovens e com melhor formação, a desenvolver sua carreira profissional em outro país’, explicou em entrevista à Agência Efe o especialista em recursos humanos Alex Jané, da Randstad.

Considerada um refúgio confiável de empregos, a Alemanha registrou em abril, segundo o escritório de estatística da União Europeia, o Eurostat, 5,4% de desemprego, o índice mais baixo da Europa depois de Áustria (3,9%), Luxemburgo e Holanda (ambos com 5,2%).

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Por isso, o país está na mira de muitos jovens espanhóis que buscam trabalho, especialmente os que possuem alta especialização em áreas de engenharia, medicina e turismo, além de um bom conhecimento do idioma alemão.

O Reino Unido também figura entre os destinos favoritos dos jovens da Espanha – entre outras razões, pela oportunidade de exercitar o idioma inglês, sustenta Jané.

Os salários são uma motivação forte na hora de optar pela Europa, onde são mais altos do que, por exemplo, na América Latina, região com alguns dos destinos preferidos pelos jovens que, além de compartilhar idioma e cultura, desejam iniciar algum dos projetos que países como México e Panamá desenvolvem.

O grau de investimentos neste último país, com 4,5% de desemprego, tem perspectiva estável, seu setor financeiro é sólido e seu desenvolvimento econômico, forte, o que levou o governo a elaborar infraestruturas estratégicas em diferentes âmbitos, como o turístico.

O governo de Ricardo Martinelli prevê importar neste ano instrutores e programas da Espanha, da Colômbia, do México, do Japão e de Taiwan para aumentar a formação técnica profissional no país.

O México também se ofereceu para compartilhar suas experiências econômicas positivas para ajudar as nações da zona do euro, e precisa, como seus vizinhos, de perfis de alta qualificação em desenvolvimento de mercado, engenharia, construção e infraestrutura, além de profissionais com talento.

Muitos trabalhadores qualificados buscam trabalho onde quer que haja vagas, e por isso a América Latina enfrenta o desafio de incorporá-los à sua economia, que possui um índice de desemprego entre jovens com menos de 24 anos que duplica ou triplica a média nacional nos países da região, segundo especialistas em colocação laboral da firma Manpower.

O mesmo pode acontecer ao Brasil, cuja economia expansiva está sendo desacelerada, afetada pela crise mundial, com menor consumo interno e uma indústria fragilizada pelos custos de produção.

Países emergentes, como China e Índia, além do Oriente Médio, também seduzem universitários espanhóis que procuram oportunidades, segundo Alex Jané, que destaca que apesar da situação de crise do país, os espanhóis ‘estão muito valorizados’.

Nove em cada 10 espanhóis (90,2%) veem a situação econômica mal ou muito mal, segundo pesquisa de maio do Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS), a maior porcentagem na série histórica da enquete, com o desemprego como a principal preocupação dos cidadãos. EFE

elr/tr/id

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