Clique e assine a partir de 8,90/mês

Brasil ‘ganharia’ R$ 495 bi com maior uso de serviços digitais

Pesquisa da consultoria McKinsey calcula os ganhos que o país e outros emergentes teriam com aumento dos serviços financeiros digitais

Por Felipe Machado - 25 set 2016, 08h33

Ter que ir ao banco para pagar as contas e ficar preso nas filas é uma obrigação comum a muitos brasileiros. Mas, além de incômoda, a tarefa tem um impacto bilionário no produto interno bruto (PIB) do país – 495 bilhões de reais, para ser mais exato. A conclusão é de pesquisa sobre o uso de recursos digitais para atividades financeiras, da consultoria Mckinsey, divulgada neste mês.

O estudo estima quanto dinheiro seria acrescentado à economia de países em desenvolvimento se fossem adotadas mais ferramentas digitais para serviços bancários, empréstimos, pagamentos, seguros, entre outros. No caso do Brasil, o total “ganho” pela economia do país com as transações digitais seria de 495 bilhões de reais (152 bilhões de dólares) em 2025. Esse valor está dividido em 297 bilhões de reais em ganho de produtividade, 153 bilhões de reais em aumento de investimentos e 45 bilhões de reais em mais postos de trabalho. Nos países em desenvolvimento, segundo o estudo, o potencial é de 3,7 trilhões de dólares (12 trilhões de reais).

Leia também:
Facebook reconhece ter inflado estatísticas de consumo de vídeo
Ao menos 500 milhões de contas foram invadidas em 2014, diz Yahoo

Na conta da McKinsey estão tanto a maior adoção de aplicações digitais pelas instituições tradicionais, como bancos e corretoras, quanto novos negócios provenientes de empresas financeiras totalmente baseadas no mundo virtual – as chamadas fintechs. Com suas atividades baseadas na rede em vez de contar com grande infraestrutura no mundo físico, essas empresas oferecem custos menores e conseguem alcançar população que fica de fora do sistema financeiro.

“Sistemas financeiros obsoletos implicam que bancos e outras instituições financeiras em países emergentes estão desenhados principalmente para servir os indivíduos mais ricos, grandes negócios e instituições públicas que movimentam grandes quantias de dinheiro”, diz o relatório. A estimativa é que 1,6 bilhão de pessoas não utilizem serviços financeiros digitais apenas nos países emergentes.

No Brasil, 32% da população adulta não tem conta bancária, segundo a McKinsey. Uma das empresas que trabalham de olho nesse público é a Zuum. A companhia de meios de pagamento é uma união operacional (joint venture) entre a Mastercard e a Vivo que foi criada em 2013 para realizar transações financeiras como transferências, pagamentos de contas recarga de vale transporte. Todo o serviço é feito por meio de um aplicativo para celular, o que significa que não necessariamente a pessoa precisa ter conta bancária para usar o serviço. É possível também fazer saques de dinheiro em caixas eletrônicos.

Para o diretor de marketing da empresa, Eduardo Abreu, há espaço para atingir mais gente além dos cerca das 600.000 pessoas que já baixaram o aplicativo em seus celulares. “Cobrimos 90% das necessidades de transação de quem não está bancarizado”, afirma.

Requisitos

Para que a evolução no uso de serviços ocorra, é preciso que haja infraestrutura digital abrangente, mercado para serviços financeiros amplo e sustentável e produtos que as pessoas queiram usar, segundo a pesquisa. Ao menos nos dois primeiros aspectos, o Brasil parece ter um grande potencial. O número de smartphones está na casa de 168 milhões de unidades, segundo um estudo da Fundação Getulio Vargas. A cobertura de celular, por sua vez, já chega a 95% da população, de acordo com dados analisados pela McKinsey.

A pesquisa da consultoria atesta o grande potencial que o país oferece nessa seara. Para o diretor assistente do Federal Reserve, John Schindler, autor de análise sobre o tema, existe um grande público jovem, conectado, que pode estar em busca de soluções financeiras fora do sistema financeiro tradicional. “Houve uma queda na confiança nas instituições financeiras depois da quebra do Lehman Brothers e a crise mundial”, disse ele ao site de VEJA em recente passagem pelo Brasil.

Continua após a publicidade
Publicidade