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Brasil está entre os países com maior número de desempregados do mundo

Com taxa de desemprego de 13,2%, país figura na 4ª posição do ranking com 44 países, segundo levantamento da Austin Rating

Por Luana Meneghetti Atualizado em 22 nov 2021, 15h18 - Publicado em 22 nov 2021, 12h44

Apesar de o Brasil estar apresentando queda na taxa de desemprego nos últimos meses, ainda assim o número de pessoas buscando uma colocação preocupa: são aproximadamente 13,7 milhões de brasileiros, uma taxa de 13,2%, dobro da média mundial e a pior entre os países do G20. Os dados posicionam o Brasil na 4ª posição dos países com maior número de desempregados entre 44 países, segundo levantamento da Austin Rating, agência de classificação de risco, perdendo apenas para Costa Rica (15,2%), Espanha (14,6%) e Grécia (13,8%).

Antes da pandemia, a taxa de desemprego se mantinha abaixo de 12%, mas saltou no último ano e chegou em 14,7% no primeiro trimestre deste ano. A tendência de queda na taxa passou a ser observada a partir do segundo trimestre deste ano, batendo os atuais 13,2%, segundo a última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, a recuperação do mercado de trabalho está atrelada a criação de vagas que exigem menor qualificação e, por consequência, menores salários. A renda média do trabalhador recuou 10,2% em um ano, segundo o IBGE, ficando em 2.489 reais, queda mais acentuada da série histórica. A queda na renda preocupa em um momento de inflação alta, que se reflete em menor poder de compra das famílias.

Além disso, existe uma piora do cenário interno com as incertezas fiscais que estão gerando maiores pressões inflacionárias e deteriorando as expectativas econômicas. A escalada nos preços chegaram agora, pela primeira vez, em dois dígitos, com a previsão de o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrar o ano em 10,12%, segundo o Boletim Focus, divulgados nesta segunda-feira, 22. Com a deterioração das condições econômicas, o mercado também revisou para baixo o Produto Interno Bruto (PIB), chegando próximo a zero em 2022, em 0,70%. Há um mês, os analistas previam um crescimento de 1,4%. Para efeitos de comparação, a média mundial para o crescimento é de 5,5% a 6% em 2021, e 4,5% e 5% para o próximo ano, segundo projeções da OCDE e do Fundo Monetário internacional (FMI). Inclusive as estimativas do PIB do Brasil para 2022 é a pior entre as economias dos G20.

A retomada econômica é fundamental para a geração de empregos, mas com a economia desaquecida pela alta da Selic – em 9,25% devendo atingir dois dígitos em 2022 – e o crescimento estagnado, a recuperação do mercado de trabalho se torna mais desafiadora. Devido à conjuntura interna, bancos e a própria Austin Rating estimam que o Brasil ainda deve manter a taxa de desemprego alta. Para o FMI, o Brasil deve encerrar o ano com uma taxa de 13,8% em 2021, acima dos atuais 13,2%, revertendo a tendência de queda observada nos últimos meses. A Austin prevê um aumento ainda maior na taxa, de 14% em 2021 e de 13,5% em 2022. O banco Itaú mostra uma projeção um pouco mais otimista, apostando na tendência de queda, 13,1% em 2021, e de 12,9% no próximo ano.

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