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Brasil é rebaixado e perde selo internacional de bom pagador

Agência de classificação de risco Standard & Poor's reduziu nota de crédito soberano do país de BBB- para BB+; mudança encarece o crédito para as empresas brasileiras

Por Da Redação - 9 set 2015, 19h05

O Brasil perdeu nesta quarta-feira o selo de bom pagador na agência de classificação de risco Standard & Poor’s. A S&P reduziu a nota brasileira de BBB- para BB+, o que tira o país da lista dos países considerados “investment grade” (ou “grau de investimento”) e o coloca entre os “especulativos”.

Além de retirar do Brasil o grau de investimento, a S&P sinalizou que pode colocar o Brasil ainda mais para dentro do território especulativo ao manter a perspectiva negativa para a nota brasileira. “Os desafios políticos do Brasil continuam a aumentar, pesando sobre a capacidade e a vontade do governo em apresentar um orçamento para 2016 ao Congresso coerente com a correção política significativa sinalizada durante a primeira parte do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff”, diz a agência.

Em agosto, a Moody’s rebaixou a nota de crédito do país para Baa3, último grau dentro da faixa considerada grau de investimento. A agência também alterou a perspectiva da nota de “negativa” para “estável”. No caso da Fitch, o Brasil está dois degraus acima do chamado grau especulativo.

A nota de crédito dada pelas agências de classificação de risco é um termômetro internacional que avalia a capacidade de países e empresas de cumprir seus compromissos. Quanto mais alta a nota, menor o risco percebido pela agência – e, portanto, menor o custo do dinheiro para o país ou a empresa avaliada.

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Além do encarecimento do crédito para as empresas brasileiras, outra consequência deve ser o aumento das oscilações dos mercados financeiros. O rebaixamento da nota de crédito tende a estender a marca de mercado arriscado às empresas mais expostas à dívida do governo.

Derrota do governo – O movimento da S&P é um grande revés para o governo brasileiro, que enfrenta uma crise econômica e política e vinha buscando meios de se manter entre os países reconhecidos como bons pagadores pelas agências de classificação de riscos.

A Standard & Poor’s foi a primeira das três principais agências de classificação de risco a conceder ao Brasil o selo de bom pagador, em abril de 2008, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E agora é a primeira a colocar o Brasil de volta ao grau especulativo.

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(Da redação)

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