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Brasil e México limitam comércio bilateral de automóveis

México, 15 mar (EFE).- Os governos do Brasil e México decidiram nesta quinta-feira uma série de restrições para limitar o intercâmbio comercial de automóveis e definiram quantias específicas que serão aplicadas a partir deste mês, de forma temporária.

O anúncio foi feito pelo secretário de Economia do México, Bruno Ferrari, após dois dias de reuniões entre altos funcionários dos governos dos dois países.

O protocolo temporário, que ficará vigente a partir do próximo dia 19, estabelece um limite de US$ 1,45 bilhão nas exportações automotivas de cada país no primeiro ano, US$ 1,56 bilhão no segundo ano e US$ 1,64 bilhão no terceiro.

Ferrari disse que, com a solução atingida, foi possível salvar o acordo comercial vigente desde 2003 no setor automotivo, conhecido como ACE-55, assim como ‘devolver a confiança’ aos mercados. Ele insistiu nos montantes fixados que se aplicam às exportações de cada país – atualmente, a balança comercial no setor é favorável ao México, mas, no passado, havia um superávit a favor do Brasil.

O secretário acrescentou que, uma vez transcorridos os três anos estabelecidos no protocolo, o ACE-55 será aplicado de maneira completa como até agora – ‘ou seja, haverá livre-comércio para veículos leves’.

Ele qualificou o acordo como ‘muito positivo’ e disse que, nesta negociação, ‘não houve nem vencedores nem vencidos’, já que, se o comércio bilateral tivesse sido cancelado, as consequências teriam sido muito complicadas.

Os dois países decidiram promover a troca de missões de ambos os países para fortalecer as relações comerciais, as quais tinham ficado na incerteza.

Ferrari afirmou que a parte brasileira tinha semeado a preocupação sobre o futuro do comércio bilateral e regional. Para ele, já ficou claro que este não é o tipo de medidas com que o Brasil poderá superar seus problemas econômicos e financeiros.

Segundo números da Associação Mexicana da Indústria Automotiva (Amia), as exportações mexicanas de veículos ao Brasil cresceram de 28.283 unidades em 2007 para 147.535 em 2011, o que representou um aumento de 421% nos últimos cinco anos.

O maior aumento foi registrado entre 2010 e 2011, que passou de 78.000 unidades para 147.535, aumento de 89% em um ano, ‘que foi o que gerou a inquietação na parte brasileira’, lembrou Ferrari nesta quinta-feira.

A Amia indicou que, nos dois primeiros meses deste ano, as exportações de veículos leves ao Brasil subiram 25.562 unidades, ‘que representam 47% das exportações à América Latina, enquanto em 2011 foi de 30,8%, quando foram exportados 12.555 veículos leves’.

Mas quando se leva em conta o comércio total entre os dois países, desde 2003 até novembro de 2011, a troca comercial total do México com o Brasil foi deficitária para o México.

As duas partes, além disso, decidiram elevar o componente regional dos veículos que serão comercializados, ao aumentá-lo de 30% para 35% nos primeiros 12 meses e fixar uma meta progressiva de 40% no quinto ano.

As duas partes decidiram ainda que o comércio bilateral de caminhões, não incluído no ACE-55, será analisado mediante consultas para conseguir ‘um acesso recíproco e a homologação de normas técnicas e ambientais’. EFE