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Brasil e Bolívia entram no clube das economias mais endividadas

Escassez de dólares e reservas baixas agravam o quadro em La Paz; em Brasília, juros elevados encarecem o financiamento público

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 ago 2026, 11h02 | Atualizado em 12 ago 2026, 13h02
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Brasil e Bolívia avançam juntos para uma posição incômoda no ranking mundial da dívida pública. Os dois países estão entre as 30 economias mais endividadas do planeta, segundo levantamento do Instituto de Finanças Internacionais (IIF) baseado em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A semelhança termina no tamanho da dívida. A Bolívia já deve mais do que o valor de sua economia e enfrenta escassez de dólares, reservas reduzidas e dificuldades para financiar o governo. O Brasil conta com um mercado financeiro mais robusto, reservas internacionais e uma dívida emitida principalmente em reais, mas paga os juros mais altos da América Latina para sustentar esse endividamento.

Pelo conceito internacional, a dívida pública brasileira deve atingir 96,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Na Bolívia, a proporção chega a 102%. O Suriname completa o grupo de países latino-americanos entre as 30 economias mais endividadas.

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Os países que lideram o ranking

O Japão ocupa a primeira posição, com uma dívida equivalente a 204,4% do PIB. Em seguida aparecem Cingapura, com 171,9%, e Sudão, com 169,1%.

A lista das dez economias mais endividadas também inclui Bahrein, Itália, Grécia, Senegal, Maldivas, Estados Unidos e Ucrânia. Os americanos aparecem na nona posição, com uma dívida de 125,8% do PIB.

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Uma dívida elevada não significa, necessariamente, que um país esteja próximo de uma crise. Economias como Japão e Cingapura possuem mercados financeiros desenvolvidos e ampla capacidade de emitir títulos em suas próprias moedas.

A situação é mais delicada em países que dependem de recursos externos, possuem poucas reservas ou precisam pagar uma parcela significativa de seus compromissos em dólares.

O custo dos juros no Brasil

A composição da dívida reduz a possibilidade de uma crise externa. Cerca de 95% dos compromissos brasileiros estão denominados em reais e são financiados majoritariamente pelo mercado doméstico. A parcela externa representa aproximadamente 4,5% do total.

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O Brasil, portanto, não depende de uma grande quantidade de dólares para pagar seus credores. O país também possui reservas internacionais expressivas e um mercado financeiro capaz de absorver novas emissões de títulos públicos.

O problema está no custo desse financiamento. Os juros pagos pelo governo brasileiro correspondem a 7,25% do PIB no cálculo comparável do IIF, maior proporção entre as economias latino-americanas.

Pelos dados nacionais, os juros nominais do setor público chegaram a 1,16 trilhão de reais nos 12 meses encerrados em junho, o equivalente a 8,8% do PIB. No mesmo período, o déficit nominal, que reúne o resultado das contas públicas e as despesas com juros, alcançou 1,32 trilhão de reais.

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Com juros elevados e resultados primários insuficientes para estabilizar a dívida, o FMI projeta que o endividamento brasileiro alcance 106,5% do PIB em 2031 pelo conceito internacional. A perspectiva é de uma deterioração gradual, e não de uma crise imediata.

Por que a Bolívia está mais vulnerável?

A Bolívia apresenta uma combinação mais frágil. Sua dívida pública alcança 102% do PIB, dos quais 41,1% correspondem a compromissos externos.

O principal problema é a escassez de dólares. O país possui reservas reduzidas e enfrenta dificuldades para financiar déficits fiscais elevados e pagar obrigações externas.

A falta de moeda estrangeira limita a capacidade do governo boliviano de absorver choques, importar produtos e refinanciar dívidas. Por isso, mesmo com um nível de endividamento próximo ao brasileiro, a Bolívia enfrenta um risco mais imediato.

O Suriname também possui capacidade limitada para enfrentar novas pressões. Sua dívida saltou de 84% do PIB em 2019 para 146,4% em 2020, antes de passar por uma reestruturação.

A distância entre a economia mais endividada e a menos endividada da América Latina deve alcançar 73 pontos percentuais do PIB em 2026. Em 2019, a diferença era de 63 pontos. No Brasil, a dívida bruta calculada pelo Banco Central aumentou 3,3 pontos percentuais somente no primeiro semestre deste ano.

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