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Brasil e Argentina tentam pôr fim à crise comercial

Os secretários da Indústria do Brasil, Alessandro Teixeira, e da Argentina, Eduardo Biacnhi, tiveram um encontro prolongado na segunda-feira e decidiram continuá-lo nesta terça-feira

Por Da Redação 24 Maio 2011, 09h18

Brasil e Argentina discutem nesta terça-feira, em Buenos Aires, meios de superar a crise comercial que eclodiu devido a medidas protecionistas aplicadas mutuamente, embora a tensão tenha diminuído após a autorização concedida para a passagem de mercadorias de ambos os lados da fronteira. Os secretários da Indústria do Brasil, Alessandro Teixeira, e da Argentina, Eduardo Biacnhi, tiveram um encontro prolongado na segunda-feira e decidiram continuá-lo nesta terça-feira.

Os dois enviados pelos governos para buscar soluções técnicas ao conflito ressaltaram a “vontade das delegações de solucionar os pontos presentes na agenda de negociações bilaterais”, segundo um comunicado divulgado pela secretaria de Indústria argentina. “Os dois governos têm afirmado suas preocupações e estamos trabalhando em prol de uma solução para cada ponto de tensão surgido da relação comercial”, disse o representante argentino.

A crise foi desencadeada há dez dias quando a presidente brasileira, Dilma Rousseff, endureceu as normas para a entrada de cerca de 3.000 veículos argentinos ao aplicar a estes o sistema de licenças não-automáticas, depois de ter pedido em vão que os argentinos retirassem as barreiras às vendas de autopeças, calçados e eletrodomésticos, entre outros.

A medida atingiu a Argentina em seu ponto fraco, devido ao fato de sua indústria automotora ser uma das locomotivas do crescimento de sua economia e de 80% das exportações de veículos serem destinadas ao Brasil, registrando uma receita em 2010 de 7 bilhões de dólares, incluindo as autopeças.

A presidente argentina Cristina Kirchner reiterou que a prioridade de seu governo é a proteção dos postos de trabalho e a reindustrialização do país. A ministra argentina da Indústria, Débora Giorgi, ressaltou na semana passada que as licenças não-automáticas impostas pela Argentina “respeitam as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC)” e disse também que o comércio bilateral é superavitário em favor do Brasil.

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O saldo negativo para a Argentina superou 1 bilhão de dólares no primeiro trimestre do ano, segundo a consultoria Abeceb.com. “Houve uma mini-retaliação, mas não tem nenhum alcance estratégico. Evidentemente, não estávamos gostando que esse mecanismo de licenças não-automáticas estivesse incidindo sobre produtos brasileiros”, disse à imprensa paulista Marco Aurélio Garcia, assessor especial de Rousseff.

A Argentina é o terceiro sócio comercial do Brasil, atrás de China e Estados Unidos, e o volume bilateral de transações atingiu os 33 bilhões de dólares em 2010, com um superávit para o Brasil de pouco mais de 4 bilhões. “Nunca antes a represália comercial do Brasil foi tão severa. Embora a medida afete a todos os países fornecedores, a Argentina é a mais atingida”, indicou em um relatório a consultoria privada Ecolatina.

O ministro brasileiro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, havia assegurado que a decisão de aumentar as restrições aos produtos argentinos vinha sendo estudada “há algum tempo”, mas negou que tenha se originado em uma irritação de Rousseff.

Fontes da indústria argentina ressaltaram, no entanto, que nas últimas horas seus veículos começaram a entrar no Brasil, da mesma forma que pneus e baterias brasileiras começavam a atravessar a fronteira em um gesto mútuo de distensão. “A Argentina já não pode competir com o Brasil. Não aguenta uma taxa de câmbio do real alta. A grande maioria das grandes empresas estabeleceram suas maiores fábricas no Brasil”, considerou o economista e consultor de empresas Orlando Ferreres.

(Com France-Presse)

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