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Brasil deve ter o pior crescimento desde governo Collor

No biênio 2011-2012, o crescimento médio anual PIB do país deverá ser da ordem de 2,1%. Já no de Fernando Collor de Mello, essa média foi de 0,25%

Por Da Redação 26 nov 2012, 11h41

A presidente Dilma Rousseff deverá encerrar os dois primeiros anos de seu mandato com a segunda pior média de crescimento da história recente do Brasil, só perdendo para o período Collor. No biênio 2011-2012, o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) nacional deverá ser da ordem de 2,1%, considerando uma expansão de 1,52% prevista para este ano pela mediana do mercado financeiro na pesquisa do Boletim Focus, do Banco Central (BC).

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Nos dois primeiros anos do primeiro e do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, essa média foi de, respectivamente, 3,4% e 5,6%, e nos de Fernando Henrique Cardoso, de 3,2% e 2,3%. Já no de Fernando Collor de Mello, ficou em 0,25%. Economistas alertam para o risco de 2013 piorar o prognóstico, caso o governo não mude o foco da política de crescimento – hoje baseada no aumento do consumo e que deve passar a incentivar mais o investimento e melhorar a produtividade.

Na próxima sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará os números do PIB referentes ao terceiro trimestre. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevê crescimento de 1,2% na comparação com o segundo trimestre.

Brics – Em dois anos do governo de Dilma Rousseff, o crescimento da economia deverá ser o menor entre os principais países emergentes do mundo, incluindo a América Latina. Levantamento do economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, feito com base em projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), indica que o PIB brasileiro deverá crescer no acumulado de 2011 e 2012 próximo a um terço dos países emergentes: 4,2%, contra a média de 11,8%.

No grupo dos Brics, o crescimento brasileiro deverá ser a metade do registrado pela economia russa, um terço do indiano, e menos de um quarto do chinês. “Vamos crescer menos que a África do Sul, país que apresenta um nível de desemprego da ordem de 25%”, diz Leite.

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América Latina – Comparado à Argentina, país exportador de commodities agrícolas e sócio do Mercosul, e ao Chile e Peru, países exportadores de commodities minerais, a expansão do PIB nacional ficará próxima de um terço.

Os dados de crescimento da Argentina são, portanto, controversos visto que as informações divulgadas pelo Indec – órgão responsável por elaborar dados estatísticos de crescimento e inflação no país – são tidos como maquiados. Relatório recente elaborado pelo Itaú Unibanco – banco que tem presença na Argentina – traz projeções pouco animadoras. A instituição financeira calcula expansão de 0,5% do PIB argentino em 2012 e 2,5% para o próximo ano. Já as perspectivas para o Brasil são de 1,5% em 2012 e 4% em 2013.

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O jornal argentino La Nación publicou nesta segunda-feira uma matéria que aponta a Argentina como o país com os piores resultados esperados para 2012 no bloco da América do Sul. O jornal destaca a alta inflação enfrentada pelo país, além das baixas perspectivas de crescimento.

Cenário tão negativo quanto ao argentino, segundo o La Nación, é vivido pelo Paraguai, que enfrenta recessão econômica devido à seca que assola o país e que prejudicou a produção de soja. Contudo, ao contrário da Argentina, a inflação não é um problema para os paraguaios, que, ao contrário, vivem o fenômeno da deflação (queda dos preços). O índice oficial de inflação do Paraguai teve, em outubro, variação negativa de 0,2%.

O Itau espera expansão de 5,2% para o PIB chileno neste ano ante 2011, de 4,4% na Colômbia e de 6,1% no Peru.

(com Estadão Conteúdo)

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