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Brasil cria 313 mil novas vagas com carteira assinada em setembro

Contratações foram puxadas por serviços, indústria e comércio; saldo de vagas, entretanto, é 14% menor que no mês passado

Por Larissa Quintino Atualizado em 26 out 2021, 18h24 - Publicado em 26 out 2021, 10h20

O Brasil gerou 313.902 vagas com carteira assinada em setembro, registrando o nono mês positivo de abertura de postos de trabalho formal, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência nesta terça-feira, 26. O saldo de 1.780.161 admissões e 1.466.259 desligamentos é 14% menor que o registrado em agosto, quando foram criadas 368 mil vagas, segundo dado revisado.

Com o resultado de setembro, o país chegou à marca de 2.512.937 postos de trabalho formais criados em 2021, reflexos da reabertura da economia — dado o avanço da campanha de vacinação contra a Covid-19 — e a preservação de postos de trabalho do BEm, programa encerrado no mês passado, que permitia a redução de salário e jornada de trabalho.  “Apesar do ‘a economia a gente vê depois’, o ‘fecha tudo e fica em casa’, o governo não se pautou por esse tipo de comportamento. Ações foram tomadas no ano passado e repetidas esse ano para sustentar a economia”, afirmou o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni. O total de empregos com carteira no país somou 41.875.905.

Assim como nos meses anteriores, o setor de serviços continua puxando as contratações, porém o ritmo foi menor que no mês anterior. Foram abertas 143.418 vagas, 45% do total,  porém menor que o saldo de 178.515 vagas abertas no mês anterior. Entre as atividades pesquisadas pelo Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (Caged), todas geraram empregos, mas apenas a indústria contratou mais neste mês que no mês passado — foram 76.169 vagas contra 72.618 no mês passado. Além de serviços, também comércio, construção e agropecuária geraram saldo menor. De acordo com a pasta, os dados mostram a normalização do mercado de trabalho formal, após a crise e a recuperação da economia.

O salário médio de admissão, mais uma vez, recuou. Segundo o Caged, o vencimento inicial é de 1.795,46 reais, 18 reais menor que o registrado em agosto. Desde junho, o salário médio de admissão vem recuando — reflexo da geração de vagas com menor qualificação.

Metodologia

Vale ressaltar que o Caged capta apenas o comportamento do mercado formal, ou seja, números de carteiras assinadas que são informadas pelos empregados ao governo, e não os dados de desemprego do país, compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego no Brasil foi de 13,7% no trimestre encerrado em julho. Os dados referente ao trimestre encerrado em agosto serão divulgados nesta quarta-feira, 27. 

O descompasso entre a taxa de desocupação e a criação de vagas formais está diretamente ligada à recuperação da economia e é percebido desde meados do ano passado. Com atividades voltando a funcionar e os indicativos de melhora, mais gente passou a procurar emprego. A taxa de desocupação do IBGE considera desempregados somente aqueles que ativamente procuram por uma vaga. A melhora do mercado formal é importante, mas é difícil que haja absorção de toda a força de trabalho, que também passa por trabalhadores informais.

Segundo Onyx, o governo deve mandar em breve ao Congresso um novo programa de qualificação visando a inclusão de trabalhadores informais no mercado de trabalho, algo que segundo ele deve funcionar junto com o Auxílio Brasil, novo nome do Bolsa Família. Há um mês, o Senado Federal rejeitou a MP 1045, que previa a ampliação do BEm e a criação de programas de qualificação. “O Senado infelizmente não compreendeu a importância da medida. Mas, iremos enviar um projeto que será amplamente entendido e apoiado”, diz o ministro.

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