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Brasil crescerá menos de 4% nos próximos anos e precisa de reformas

Em relatório, órgão considera que o desafio mais imediato do país é inflação e recomenda consolidação fiscal, aliada a investimentos em infra-estrutura

A economia brasileira crescerá menos de 4% nos próximos dois anos, depois do resultado de 7,5% em 2010, e precisa de reformas que possam garantir a expansão econômica a longo prazo, aponta um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apresentado nesta quarta-feira em Brasília pelo Secretário Geral da organização, Angel Gurría.

O estudo aponta que o país tem se recuperado rapidamente da crise econômica global, mas reformas mais amplas são necessárias para estimular o crescimento no longo prazo, dinamizar os investimentos e reduzir ainda mais a pobreza.

O relatório argumenta que, ainda que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tenda a ser menor que 4% em 2012 e 213, abaixo da taxa prevista pelo órgão anteriormente (4,5%), o valor ainda é bem superior à média dos países da OCDE. “Acreditamos que o Brasil poderá alcançar, a médio prazo, um crescimento mais elevado e com inclusão ainda mais abrangente, sob a condição de que os políticos tomadores de decisão enfrentem os mais importantes desafios econômicos, criando uma dinâmica propícia a reformas mais amplas”, disse Gurría no documento.

Inflação – O secretário defende que refrear a inflação é o desafio macroeconômico mais imediato. O relatório apresentado pela OCDE diz também que o Brasil precisa aprofundar a consolidação fiscal. A OCDE considera bem-vindos os cortes em gastos anunciados no início do ano, combinados com a meta de superávit primário para os próximos três anos.

O estudo salienta ainda a importância de impulsionar os índices de investimentos, considerados muito baixos em comparação aos padrões internacionais. A OCDE acredita que a reforma do sistema de aposentadoria e o aprofundamento dos mercados financeiros de longo prazo ajudarão a dinamizar o investimento, da mesma forma que a redução da carga fiscal e a elaboração de políticas voltadas para o alcance de taxas de juros mais baixas.

Para a organização, o Brasil deve dar prioridade aos gastos com infraestrutura, que são fundamentais para o crescimento no longo prazo e a inclusão social, resguardando-os dos cortes governamentais de gastos. O relatório defende a manutenção do programa Bolsa Família.

Câmbio – Com relação ao câmbio, o estudo relatório indica que parte da valorização da moeda tem sido estrutural. A OCDE considera “compreensíveis” as medidas adotadas pelo país para conter a apreciação do real, como a taxação temporária da entrada de capitais de curto prazo – uma medida que, em outra época, os organismos internacionais teriam chamado de intervencionista. Mas a OCDE adverte que as medidas são “compreensíveis dadas as incertezas que a economia global enfrenta, mas o Brasil deve confiar de maneira mais significativa na consolidação fiscal”.

(com Agence France-Presse)