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Brasil cresce 0,3% no 4o tri e 2,7% em 2011–IBGE

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 6 Mar (Reuters) – A economia brasileira cresceu 0,3 por cento no quarto trimestre de 2011 em comparação com o terceiro, levando a expansão acumulada no ano a 2,7 por cento. O desempenho indica que a atividade econômica começou a melhorar no fim do ano passado, apesar de o setor industrial continuar patinando bastante.

“O que está puxando esse crescimento para baixo é claramente a indústria… ela simplesmente não consegue se beneficiar do mercado que está crescendo”, afirmou o economista-chefe do J. Safra e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também informou também nesta terça-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) teve expansão de 1,4 por cento no último trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2010 todo, o crescimento da atividade havia sido de 7,5 por cento.

Pesquisa da Reuters mostrou que a mediana de previsões de 29 analistas consultados mostrava que o PIB brasileiro cresceria 0,2 por cento no quarto trimestre de 2011 ante o período anterior. No ano, as contas apontavam expansão de 2,8 por cento.

“Os números foram positivos, mas o recuo (frente a 2010) é fruto da base de comparação mais alta e de medidas do governo”, declarou à Reuters a gerente da pesquisa do IBGE, Rebeca Palis, referindo-se às ações que limitaram e encareceram ao crédito e aos juros mais altos.

No quatro trimestre de 2011, o destaque positivo ficou para o consumo das famílias, com crescimento de 1,1 por cento sobre o trimestre anterior, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimentos, cresceu apenas 0,2 por cento.

Já o setor agropecuário teve expansão de 0,9 por cento, enquanto o setor de serviços cresceu 0,6 por cento. Na ponta oposta, a indústria teve queda de 0,5 por cento no período, puxada pelo comportamento da indústria.

No ano fechado, a FBCF cresceu 4,7 por cento -muito menos do que os 21,3 por cento vistos em 2010-, seguido pelo consumo das famílias, com expansão de 4,1 por cento. Foi o oitavo ano seguido de elevação, porém abaixo dos 6,9 por cento vistos no ano anterior. Ainda segundo o IBGE, em 2011, o consumo do governo se expandiu em 1,9 por cento.

Nos setores, o pior desempenho ficou com a indústria, que cresceu 1,6 por cento no ano (frente aos 10,4 por cento de expansão em 2010), enquanto serviços cresceram 2,7 por cento e a agropecuária, 3,9 por cento.

O resultado ruim da indústria foi puxado pelo segmento da industria de transformação, com expansão de apenas 0,1 por cento no ano passado ante uma alta de 10,1 por cento em 2010, com destaque para as atividades que sofrem mais concorrência de importados, como vestuário, calçados, metalurgia e automóveis

“Foi um ano (2011) de crise, de mais cautela dos consumidores, de um mercado de trabalho menos forte, juros em alta e inflação também. Isso tudo influencia o consumidor. Numa conjuntura econômica melhor, as famílias tendem a consumir mais”, disse o coordenador da pesquisa, Roberto Olinto.

O desempenho de 2011 veio abaixo do esperado pelo governo. O Banco Central trabalhava com a previsão de que o PIB cresceria 3 por cento no ano passado mas o seu próprio indicador de atividade, o IBC-Br, que registrou crescimento de apenas 2,79 por cento no ano, já havia mostrado que o avanço seria menor. O índice, por outro lado, indicou a recuperação no fim do ano. Só em dezembro, foi 0,57 por cento sobre novembro.

Para 2012, a previsão oficial do governo é de um crescimento de 4,5 por cento, mas o BC é mais comedido e aponta apenas 3,5 por cento.

Com o resultado, os agentes econômicos continuam esperando mais cortes na Selic -hoje em 10,50 por cento ao ano- daqui para frente, inclusive na reunião desta quarta-feira, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente. A expectativa é de um corte de 0,50 ponto percentual, mas há algumas apostas em 0,75 ponto.

O mercado futuro de juros trabalhava com queda nesta terça-feira, com o DI para janeiro de 2014 apontando 9,560por cento, ante 9,590 no último ajuste no início da tarde.�

QUEDA NO 3o TRI

O IBGE também revisou, e para pior, o desempenho do terceiro trimestre de 2011, com queda de 0,1 por cento sobre o segundo, em relação ao crescimento zero anunciado anteriormente.

O crescimento do segundo trimestre de 2011 sobre o primeiro também foi revisado, para uma expansão de 0,5 por cento, ante o 0,7 por cento divulgado antes. Sobre o desempenho de 2010 todo, o IBGE manteve o crescimento de 7,5 por cento.

Quando comparado com os países dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o PIB brasileiro foi um dos que menos cresceu em 2011. Só a China teve expansão de 8,9 por cento, segundo o próprio IBGE.

ESFORÇO PARA OTIMISMO

O recuo do crescimento em 2011, quando comparado com o ano anterior, veio sobretudo da crise internacional, cujo epicentro está na zona do euro, mas também pelo esforço do governo entre o final de 2010 até meados de 2011 para esfriar a economia, que estava aquecida e pressionava a inflação.

Em dezembro DE 2010, o governo anunciou medidas macroprudenciais que desestimularam o consumo e em janeiro do ano passado começou um processo de elevação da Selic que somou 1,75 ponto percentual e a levou a 12,50 por cento ao ano em julho.

Com a piora do cenário externo, o governo fez uma volta de 180 graus e passou a estimular a economia novamente voltando a reduzir o juro básico da economia, entre outras medidas. Também deve pesar agora o crescimento menor esperado para a China neste ano.

Apesar do resultado mais fraco do que o governo esperava, ele já tem na ponta da língua o discurso para impedir que o otimismo diminua: o argumento de que a economia já apresenta um desempenho ascendente. E promete mais medidas para estimular a atividade, sobretudo a indústria.

(Reportagem adicional de Diogo Ferreira Gomes e Jeb Blount)