Bradesco concentra R$ 4,8 bilhões em créditos na recuperação da Casas Bahia
Banco aparece diretamente e por meio do Digio; junto com o Banco do Brasil, grupo concentra quase 60% dos R$ 13,3 bilhões de créditos financeiros listados na RJ
O Bradesco é o grupo financeiro com a maior exposição entre os credores da recuperação judicial da Casas Bahia. Somados os créditos registrados diretamente em nome do banco e os atribuídos ao Banco Digio, controlado pelo Bradesco, são R$ 4,78 bilhões a receber do grupo varejista.
O maior credor individual da relação é justamente o Digio, com R$ 3,28 bilhões. O Bradesco aparece separadamente com outros R$ 1,50 bilhão. A exposição conjunta corresponde a cerca de 36% dos R$ 13,3 bilhões em créditos financeiros incluídos na lista apresentada no processo.
O Banco do Brasil vem em seguida, com R$ 2,99 bilhões. Considerados Bradesco, Digio e BB, os dois grupos bancários concentram aproximadamente R$ 7,77 bilhões, ou 58,4% de toda a dívida financeira relacionada pela Casas Bahia.
A lista mostra ainda uma presença relevante de fundos e veículos de crédito. O IBCB-AF01 FIDC aparece com R$ 1,09 bilhão, seguido por Intra, com R$ 928,1 milhões, Riza Agronegócio, com R$ 803,8 milhões, Red Asset, com R$ 708 milhões, e Oliveira Trust, com R$ 568,2 milhões.
A composição ajuda a revelar a dependência da Casas Bahia de estruturas de financiamento ligadas ao crediário, à antecipação a fornecedores e a fundos de recebíveis. No balanço do segundo trimestre, a companhia mostrava R$ 2,32 bilhões em seu indicador de endividamento bruto, mas deixava fora dessa conta modalidades como CDCI, risco sacado e cotas seniores de FIDCs — instrumentos que, juntos, movimentavam bilhões de reais.
A recuperação judicial envolve R$ 17,3 bilhões em dívidas. Só os credores financeiros relacionados no documento representam cerca de 77% desse total, mostrando que a renegociação com bancos e fundos deverá ser o centro da disputa para a reestruturação do grupo.







