Bradesco (BBDC4) lucra R$ 7 bilhões no 2° trimestre, alta de 16%
Resultado ficou em linha com as estimativas, mas a alta das provisões acima da expansão da carteira pode pesar na percepção do mercado
O Bradesco (BBDC4) reportou lucro líquido recorrente de 7,05 bilhões de reais no segundo trimestre de 2026, alta de 16,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado ficou em linha com o consenso reunido pelo BTG Pactual, que projetava lucro de 6,95 bilhões de reais para o período. A informação foi divulgada em documento enviado ao mercado nesta quarta-feira, 5.
O banco registrou o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro e avanço da rentabilidade, dando sequência à estratégia implementada pelo CEO, Marcelo Noronha, desde o início de 2024.
Desde então, a instituição vem apresentando uma recuperação gradual, em linha com a estratégia de evolução “step by step” defendida pelo executivo. Ainda assim, desde o trimestre anterior, o aumento das provisões para perdas com crédito tem levantado questionamentos do mercado sobre a qualidade dos ativos presentes na carteira do banco.
A carteira de crédito expandida do Bradesco somou 1,13 trilhão de reais ao fim do segundo trimestre de 2026, alta de 11,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na pessoa física, a carteira cresceu 8,4%, enquanto, na pessoa jurídica, o avanço foi de 14,1%.
A margem financeira, que representa a diferença entre os juros pagos na captação de recursos e os cobrados nas operações de crédito, alcançou 20,8 bilhões de reais, crescimento de 15,7% na comparação anual.
A rentabilidade do Bradesco, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês), atingiu 16,2%, alta de 1,6 ponto percentual em relação ao segundo trimestre de 2025. Os números reforçam a percepção de recuperação operacional do banco.
Na avaliação de Marcelo Noronha, o Bradesco fez uma boa gestão de risco e soube aproveitar oportunidades de negócios para elevar sua competitividade no curto e no longo prazo.
“Isso vem se mostrando verdadeiro, tanto do lado das receitas quanto das despesas, que seguem bem controladas”, afirmou o executivo. “Por isso, reafirmamos o nosso compromisso de aumentar o nosso lucro, step by step.”
Apesar do avanço dos resultados, o mercado voltou a chamar atenção para o crescimento das provisões, fator que alimenta dúvidas sobre a qualidade da carteira de crédito. Esse movimento permaneceu presente no segundo trimestre de 2026.
A inadimplência acima de 90 dias subiu 0,2 ponto percentual na comparação anual e encerrou o trimestre em 4,3%. O aumento foi puxado principalmente pela carteira de pessoa física.
Como consequência, as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) cresceram 22,6% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 9,98 bilhões de reais no trimestre. Segundo o Bradesco, o avanço reflete o maior custo de crédito no segmento massificado, parcialmente compensado por menores despesas com provisões na carteira de atacado.
“Cabe observar que o aumento nas despesas do massificado segue atrelado a operações vinculadas a programas emergenciais, em virtude da dinâmica de provisionamento versus prazo de honra dessas linhas e da carteira de crédito rural”, informou o banco.
Em suma, o Bradesco (BBDC4) apresentou mais um trimestre de crescimento do lucro e melhora da rentabilidade, reforçando a recuperação iniciada sob a gestão de Marcelo Noronha. Por outro lado, o avanço das provisões e da inadimplência no segmento de pessoa física continua sendo um ponto de atenção para os investidores, reduzindo parte do brilho de um balanço robusto.







