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Como Bolsonaro pode tirar influência de Guedes e dar para Lira

Presidente alega estar convencido sobre a recriação de um Ministério da Indústria, e dá ao presidente da Câmara poder para tratar do tema

Por Victor Irajá Atualizado em 27 Maio 2022, 12h33 - Publicado em 27 Maio 2022, 12h18

Patinando nas pesquisas eleitorais, o presidente Jair Bolsonaro voltou a ensaiar a recriação de um ministério, desta vez o da Indústria e Comércio, numa reedição de uma promessa que vai e volta nos burburinhos do Palácio do Planalto. Em um evento realizado ontem pela Federação das Indústrias de Minas Gerais, a Fiemg, Bolsonaro disse, atendendo à solicitação do presidente da federação, Flávio Roscoe, que delegará ao presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), a recriação da pasta ainda neste ano. “Foi uma solicitação que confesso que já estava um pouco madura, mas agora selou o seu final. Uma vez havendo uma outra oportunidade, ainda no corrente ano, vai estar nas mãos do Lira a recriação do Ministério da Indústria e Comércio”, afirmou.

Bolsonaro recebeu a demanda da indústria em um momento em que perde capital eleitoral para o primeiro colocado nas pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A recriação de ministérios que enfraqueçam a antiga superpasta do Ministério da Economia já foi tópico central no governo em momentos de menor influência do ministro Paulo Guedes — que assumiu em 2019 concentrando o que no passado compunham os ministérios da Fazenda, do Planejamento, da Indústria e do Trabalho.

Em outubro do ano passado, foram crescentes as pressões para que Bolsonaro recriasse o Ministério do Planejamento — com indicação, claro, de alguém que atendesse às vontades de deputados e senadores. O renascimento de uma pasta “carimbadora de projetos” era um dos desejos dos congressistas, que veem em Guedes um muro para seus anseios de aumento de influência junto ao governo e à definição das verbas públicas.

Antes, Guedes já havia perdido a responsabilidade sobre o Trabalho, que renasceu em 2021. Em julho do ano passado, Ciro Nogueira (Progressistas-PI) foi elevado a ministro da Casa Civil, num movimento que o ministro da Economia alega ter sido sua ideia. Seria uma forma de alimentar os anseios do Centrão por mais participação no governo e, de quebra, ainda aplainar os ânimos no Senado, para que a agenda de reformas pudesse avançar. No final das contas, a solução encontrada, e apoiada pelo Posto Ipiranga de Bolsonaro, foi realizar a cisão do antigo Ministério do Trabalho e Previdência de dentro do Ministério da Economia, e entregá-lo a Onyx Lorenzoni. Nos cálculos de Guedes, foi um mal menor.

PERDE E GANHA

Formado na meca do moderno liberalismo econômico, a prestigiada Universidade de Chicago, Guedes chegou a Brasília em janeiro de 2019 disposto a mudar o Brasil. Para isso, passou a ter sob seu comando uma superestrutura formada pela fusão de quatro ministérios, uma maneira de manter controle absoluto das decisões econômicas. A ideia era resgatar o espírito animal preconizado pelos liberais e colocar um ponto-final aos voos de galinha da economia brasileira, com seu desempenho errático, taxas de crescimento decepcionantes e estruturas anacrônicas. Para isso, amealhou uma gama de poderes sob o seu guarda-chuva — os quais vem perdendo pouco a pouco para a classe política.

Nas últimas semanas, porém, como mostra a edição de VEJA desta semana, Guedes ganhou força e estendeu seus tentáculos sobre a área de petróleo e gás — o grande calcanhar de Aquiles de Jair Bolsonaro para as eleições deste ano. Guedes emplacou um membro de sua equipe, o secretário de Desburocratização, Caio Mário Paes de Andrade, como novo indicado à presidência da Petrobras. O movimento aconteceu duas semanas depois de o presidente ter nomeado para o cargo de ministro das Minas e Energia outro nome próximo a Guedes: o seu assessor especial, Adolfo Sachsida, em substituição ao almirante Bento Albuquerque. Com essas duas movimentações, o Posto Ipiranga se tornou o homem forte na petroleira e agora herda o desafio principal de impedir que a alta dos combustíveis toque fogo nos planos de Bolsonaro à reeleição. No governo, Guedes aprendeu melhor do que ninguém que, na política, é quase que impossível manter os anéis e os dedos.

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