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Bolsas reagem bem à aprovação de ajuste grego

Os mercados europeus reagem positivamente nesta segunda-feira à aprovação pelo Parlamento grego de um ajuste imposto pela União Europeia (UE) e pelo FMI para salvar o país da quebra, após os protestos e as batalhas campais que resultaram em um saldo de dezenas de feridos em Atenas.

No início dos negócios, a Bolsa de Londres subia 0,90%, a de Frankfurt apresentava alta de 0,61%, a de Paris 0,56%, a de Milão 0,85% e a de Madri 0,43%.

No mercado de câmbio, o euro era cotado em alta, a 1,3260 dólares, frente ao 1,3194 de sexta-feira.

O ajuste foi aprovado pelo Parlamento grego por 199 votos a favor e 74 contra, com o apoio dos dois principais partidos: o socialista PASOK e o conservador Nova Democracia, que participam do governo de coalizão do primeiro-ministro Lucas Papademos.

Contudo, mais de vinte deputados socialistas e 21 da direita votaram contra e foram expulsos de seus respectivos grupos parlamentares.

O projeto prevê a redução de 22% do salário mínimo (32% para os jovens de menos de 25 anos), a supressão de 15.000 empregos públicos e novos cortes de pensões.

Apesar do alívio do mercado, o cenário visto nesta manhã em Atenas foi digno de um palco pós-guerra, com ruínas neoclássicas ainda soltando fumaça após os incêndios provocados no domingo e pela madrugada de segunda-feira e vitrines de lojas e estabelecimentos comerciais destruídos.

De acordo com dados oficiais, 54 civis e 68 oficiais ficaram feridos durante os confrontos entre policiais e manifestantes, que conseguiram reunir 80.000 pessoas em Atenas e 20.000 em Salônica.

Além disso, 45 edifícios foram total ou parcialmente destruídos pelos incêndios e dezenas de vitrines foram quebradas pela violência dos choques.

A adoção do projeto de lei era exigida pela UE, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo FMI para desbloquear o novo empréstimo público de 130 bilhões de euros.

Caso a Grécia não receba ajuda, o país terá que decretar falência em março.

A votação também envolveu os títulos da dívida grega em mãos de credores privados, que devem ser reduzidos em ao menos 50%, o que implica na redução da dívida grega em 100 bilhões de dólares, para deixá-la a 120% do PIB até 2020 (a dívida atual é de 350 bilhões de dólares e equivale a 160% do PIB).

A Comissão Europeia e a Alemanha, em particular, felicitaram nesta segunda-feira a aprovação pelo Parlamento grego do novo plano de rigor e o classificaram como um “avanço crucial” para a concessão de novos empréstimos à Grécia e para a redução de parte da dívida do país.

O porta-voz do governo grego, Pantelis Kapsis, anunciou nesta segunda-feira que a Grécia organizará eleições legislativas antecipadas em abril.

“Este governo tem um mês e meio de trabalho pela frente. Vamos terminar em março e as eleições acontecerão em abril”, declarou em Kapsis à imprensa.

Sem as eleições antecipadas, o mandato do atual governo poderia durar até outubro de 2013.