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Bolsas mundiais recuam com rumores de rebaixamento

Pregão europeu fechou antes de vazamento da informação de que a nota da França havia sido rebaixada

Por Da Redação - 13 jan 2012, 14h55

Os principais índices das bolsas europeias fecharam em queda nesta sexta-feira com a notícia de que a agência de classificação de risco S&P poderia rebaixar a nota AAA de vários países da zona do euro, incluindo a França, até o final desta noite. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,13%, ou 0,32 ponto, para 249,18 pontos. Na semana, porém, subiu 0,67%. As quedas ocorreram antes de a imprensa francesa noticiar, citando fontes do governo, que a S&P já havia avisado as autoridades do país sobre o rebaixamento. Nem a S&P nem o Ministério das Finanças francês quiseram comentar o assunto, segundo a agência AFP. A especulação sobre o possível rebaixamento da França assola os mercados há semanas.

Em Paris, o índice CAC-40 caiu pouco, 0,11%, para 3.196,49 pontos, e na semana subiu 1,88%. A companhia de serviços do setor de petróleo Technip perdeu 2,4%, o pior desempenho entre as que formam o CAC-40. Já as ações do BNP Paribas subiram 2,5% e as do rival Société Générale avançaram 0,3%.

Algumas ações na Alemanha avançaram: Commerzbank (+3,4%) e Deutsche Bank (+1,5%), por exemplo. Ainda assim, o índice DAX da Bolsa de Frankfurt recuou 0,58%, para 6.143,08 pontos. Na semana, a variação foi de +1,40%. O índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, fechou em queda de 0,46%, para 5.636,64 pontos. Na semana, o FTSE 100 recuou 0,23%.

O analista de mercado de ações do Saxo Bank Peter Garnry afirmou que os investidores devem se lembrar de que os rumores em relação ao possível rebaixamento de países europeus não são novidade, mas ressaltou a importância do caso da França. “Se é a França, então temos uma nova variável na crise da dívida europeia”, afirmou Garnry. O analista lembrou que o rating AAA da França é usado como uma espécie de colateral na estrutura da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), que está sendo usada para apoiar o mercado de dívida soberana.

Garnry disse ainda que a queda discreta na França pode indicar que os fundos de hedge apostavam que a Itália poderia ser o alvo do rebaixamento. Em Milão, o índice FTSE MIB perdeu 1,20%, para 15.011,09 pontos, mas na semana subiu 2,50%.

Títulos da dívida – Mais cedo, a Itália vendeu com sucesso 4,75 bilhões de euros em bônus do governo, o máximo planejado. O yield (retorno ao investidor) caiu em comparação com leilões anteriores, reduzindo os custos para empréstimos da terceira maior economia do bloco. No mercado secundário, o yield do bônus benchmark de 10 anos do governo italiano subiu 16 pontos-base, para 6,68%, após redução de 26 pontos-base na quinta-feira. O yield se move na direção inversa dos preços.

Os leilões de nações endividadas do sul da Europa têm sido monitorados de perto por analistas. Na quinta-feira, leilões bons de Espanha e Itália levaram a altas nos bancos europeus, mas o mercado reagiu pouco aos leilões desta sexta-feira. “Nós temos visto várias boas notícias nos últimos dias, mas não esperamos que o mercado fique firme em dois dias seguidos”, disse Edmund Shing, estrategista de ações do Barclays Capital em Londres.

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Em outros mercados, a companhia dinamarquesa de soluções para o setor de comunicação Store Nord avançou 10% com a notícia de que ela receberá 3,1 bilhões de coroas (500 milhões de dólares) em um acordo para encerrar uma disputa legal.

Já a companhia britânica de software Invensys caiu mais de 19%, na pior perda entre as que formam o Stoxx 600. A companhia advertiu nesta sexta-feira que seu lucro operacional anual será significativamente menor que no ano passado, citando atrasos em contratos na China e custos extras relacionados a seus negócios em ferrovias.

Na contramão, o índice Ibex 35, da Bolsa de Madri, subiu 0,28%, para 8.450,60 pontos, e na semana avançou 1,95%. Os bancos se saíram bem, com Santander (+1,2%), BBVA (+1,1%) e Bankia (+0,8%). Já o PSI 20, índice da Bolsa de Lisboa, caiu 0,75%, fechando em 5.479,55 pontos, e na semana perdeu 2,14%.

Estados Unidos – As bolsas de valores dos Estados Unidos caminhavam para fecharem a semana com ganhos modestos, com os principais índices se afastando das mínimas da sessão, após caírem mais de 1% nesta sexta-feira devido aos rumores envolvendo a S&P e os países europeus.

Às 16h40 (horário de Brasília), o índice Dow Jones, referência da Bolsa de Nova York, caía 1%, para 12.366 pontos. O Standard and Poor’s 500 cedia 1,06%, aos 1.263 pontos, enquanto o termômetro de tecnologia Nasdaq recuava 0,96%, para 2.702 pontos.

A desvalorização das bolsas, puxada pelos bancos, ocorria apesar de sólidos dados mostrando que a confiança do consumidor dos EUA atingiu uma máxima em oito meses, com os norte-americanos mais otimistas com as perspectivas de emprego. O índice S&P para o setor financeiro caía 1,2%, maior queda setorial do dia.

No Brasil, a BM&FBovespa operava em queda 1,6%, puxada pelas ações da Vale, que recuavam mais de 3%.

(Com Agência Estado e Reuters)

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