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Bolsas de NY reagem a medidas de liquidez do BCE

Por Da Redação - 6 out 2011, 18h06

Por Gustavo Nicoletta

Nova York – Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam em alta, reagindo às medidas recentes das autoridades europeias para tentar conter a crise das dívidas soberanas da região. O Dow Jones subiu 183,38 pontos, ou 1,68%, para 11.123,33 pontos, puxado pelo avanço de 8,84% do Bank of America. O Nasdaq encerrou em alta de 46,31 pontos, ou 1,88%, a 2.506,82 pontos. O S&P 500 teve ganho de 20,94 pontos, ou 1,83%, e fechou a sessão a 1.164,97 pontos.

“Há uma grande rotação acontecendo sob a superfície do mercado, com saídas de setores defensivos”, disse Michael Gayed, estrategista-chefe de investimentos da Pension Partners. “Esse não foi o caso nas últimas semanas, quando os mercados pareciam prontos para decolar, mas não o fizeram”, acrescentou.

Entre os destaques da sessão, as ações da Apple ficaram praticamente estáveis ao longo da sessão diante da notícia de que Steve Jobs, cofundador e presidente do conselho da companhia, morreu. Jobs sofria de câncer no pâncreas e renunciou ao cargo de executivo-chefe da Apple em agosto. Os papéis da empresa fecharam em baixa de 0,32%.

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As bolsas dos EUA seguiram o movimento dos mercados de ações da Europa. Hoje, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter a taxa referencial de juro em 1,5%, o que inicialmente decepcionou os investidores. O humor melhorou após o presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, anunciar que o órgão comprará até 40 bilhões de euros em bônus emitidos por bancos a partir de novembro.

Além disso, o Banco da Inglaterra decidiu que vai comprar 75 bilhões de libras (US$ 114,6 bilhões) em títulos do governo, expandindo seu programa de compra de ativos para 275 bilhões de libras. “Os investidores dos EUA e de todo o mundo, até certo ponto, estavam esperando que os europeus agissem de forma mais decisiva”, disse Jim Russell, gerente de investimentos regionais do U.S. Bank. “O processo de tomada de decisões foi muito lento, mas estamos otimistas com a possibilidade de a Europa encontrar um grau de estabilidade que represente um movimento construtivo para as ações.”

Entre os indicadores divulgados hoje, as redes varejistas apresentaram números de vendas para o mês de setembro que, em geral, superaram as estimativas do mercado. Segundo dados colhidos pela Thomson Reuters, as vendas do setor nos EUA cresceram 5,1% no mês passado em comparação a setembro de 2010, enquanto analistas esperavam uma expansão de 4,6%.

Já o Departamento de Trabalho do país divulgou que o número de norte-americanos que entraram com pedido de auxílio-desemprego na semana passada subiu 6 mil. O dado foi considerado positivo porque analistas esperavam uma alta de 19 mil e também deixou os investidores ansiosos por um resultado positivo do payroll – relatório que será divulgado amanhã e mostrará o número líquido de vagas criadas ou perdidas pela economia dos EUA em setembro.

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“Não acho que alguém esteja esperando um número muito bom para o emprego, mas também não estão esperando uma grande decepção”, disse Bruce McCain, estrategista-chefe de investimentos do Key Private Bank. “Não estamos gerando empregos num ritmo bom, mas se começarmos a ter perdas de emprego, algumas pessoas vão ficar nervosas.”

No mercado de Treasuries, os preços caíram, com respectivo movimento inverso dos juros, refletindo o aumento no apetite por risco em meio à redução das preocupações com a crise na Europa. No final da tarde em Nova York, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 2,961%, de 2,858% na quarta-feira; o juro das T-notes de 10 anos estava em 1,994%, de 1,891%; o juro das T-notes de 2 anos estava em 0,267%, de 0,259%. As informações são da Dow Jones.

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