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Bolsa tem maior alta em um mês com expectativa sobre Marina

Ibovespa sobe 2,12% e dólar recua a R$ 2,25 com especulação de candidatura

Por Da Redação - 15 ago 2014, 18h47

A BM&FBovespa fechou com a maior alta diária em quatro semanas nesta sexta-feira, com forte avanço das ações da Petrobras, em sessão marcada pelas mais variadas especulações em torno das eleições. Os resultados da temporada final balanços das empresas no segundo trimestre acabou ficando em segundo plano, assim como o cenário internacional. A expectativa pela pesquisa Datafolha prevista para o início da próxima semana abriu espaço para rumores desde a confirmação de Marina Silva como cabeça de chapa, a nomes para sua equipe, bem como possíveis medidas em caso de vitória. Depois o fechamento do pregão, Marina sinalizou ao PSB que aceita ser candidata.

Mesmo com o anúncio da prévia do PIB, que mostrou retração econômica de 1,2% no segundo trimestre, o Ibovespa subiu 2,12%, para 56.936 pontos. Foi a maior alta desde 18 de julho, quando havia avançado 2,47%. Na semana, após recuar quase 3% na quarta-feira, com a confirmação da morte de Eduardo Campos, o Ibovespa se recuperou subiu 2,5%. As ações das estatais impulsionaram a alta. As ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras subiram 7,9%, enquanto as ordinárias avançaram 7,84%. Já as ações ON da Eletrobras subiram 3,65%, a 6,82 reais.

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Parte da alta das ações da Petrobras se justifica pelo fato de o governo da Ucrânia afirmar que destruiu parte do comboio de caminhões da Rússia que estava entrando no país, fazendo com que os contratos de petróleo subissem 2% na Nymex, para 97,35 dólares por barril. Contudo, o maior impacto na bolsa brasileira ainda é o cenário eleitoral. Com a provável entrada de Marina na campanha presidencial, como sucessora de Campos, as chances de segundo turno aumentam. Com isso, a polarização de votos na segunda fase das eleições em Aécio ou Marina, contra Dilma, deu ânimo aos investidores – e ajudou a levantar os papéis das estatais.

A pesquisa Sensus coletada antes do falecimento de Campos também trouxe uma informação que animou os mercados: a avaliação positiva de Dilma caiu de 32,4% para 28,5%, em agosto, enquanto a avaliação negativa cresceu de 28,5% para 34,6%. Investidores também começam a levar em consideração as convicções econômicas de Marina e questionam se, caso saia candidata, se distanciará do discurso defendido por Eduardo Campos. “Os mercados esperam que ela siga políticas macroeconômicas mais austeras que Dilma. Mas ainda creio que prefiram Aécio, devido às incertezas em relação a quão eficaz o governo dela realmente seria”, afirma Robert Wood, da Economist Intelligence Unit (EIU).

Diante da provável candidatura de Marina, muitas consultorias começam a revisar suas expectativas para o pleito eleitoral. Em relatório enviado a clientes, a Eurasia reduziu de 60% para 55% a probabilidade de vitória de Dilma. Segundo o economista João Augusto Castro Neves, um dos responsáveis pelo texto, Marina é potencialmente mais forte que Campos, contudo, as incertezas em seu eventual governo permanecem – e são ainda maiores que em relação a Aécio e Dilma. “Uma administração de Marina tem potencial de ser mais pró-mercado em relação à política econômica, mas os riscos políticos transformam essa possibilidade em algo ainda menos previsível do que seria no caso do PSDB ou do PT”, informa o documento.

Exemplo do descompasso da Bolsa de Valores brasileira em relação às bolsas americanas é o fato de os principais indicadores dos Estados Unidos terem operado no vermelho. O índice Dow Jones recuou 0,30%, aos 16.662,91 pontos, o S&P 500 cedeu 0,01%, aos 1.955,06 pontos, e o Nasdaq avançou 0,27%, aos 4.464,93 pontos.

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