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Boeing cria centro de pesquisa e tecnologia no Brasil

Unidade entrará em funcionamento este ano e será o sexto centro de P&D da empresa no mundo, depois de Espanha, Austrália, Índia, Rússia e China

Por Anna Carolina Rodrigues 3 abr 2012, 12h38

“O centro de pesquisa vai muito além de qualquer decisão do governo brasileiro”, afirmou Donna Hrinak, presidente da Boeing Brasil

A Boeing anunciou nesta terça-feira a criação de um centro de pesquisa e tecnologia aeroespacial no Brasil. Com sede em São Paulo, a unidade terá investimento inicial estimado entre 4 milhões de dólares e 5 milhões de dólares ao ano. Será o sexto centro de pesquisa da empresa no mundo fora dos Estados Unidos. Outros funcionam na Espanha, Austrália, Índia, Rússia e China.

O aporte no centro brasileiro será semelhante ao realizado na unidade chinesa. Segundo a Boeing, as pesquisas terão foco em desenvolvimento de biocombustíveis de aviação, gestão avançada de tráfego aéreo, metais avançados e biomateriais e tecnologias de apoio e serviços. A ideia é criar uma rede com agências governamentais, empresas privadas e universidades.

O anúncio chega poucos dias após a proposta de parceria feita pelo governo indiano para transferência de tecnologia caso o Brasil opte por comprar os caças Rafale, da francesa Dassault. A Boeing está na concorrência do projeto FX-2 para compra de caças pela Força Aérea Brasileira (FAB). Além das duas empresas, também compete a sueca Saab.

A presidente da Boeing Brasil, Donna Hrinak, negou que a abertura do centro seja uma resposta à questão da transferência de tecnologia. Ao site de VEJA, a executiva destacou que se trata de um movimento natural da companhia que busca se estabelecer no país. “O centro de pesquisa vai muito além de qualquer decisão do governo brasileiro. O F-18 (modelo de caça negociado pela empresa) é assunto de apenas um dos negócios da Boeing”, afirmou.

A abertura desse centro tem relação com as críticas sobre a falta de transferência de tecnologia pela Boeing na questão dos caças?

Se o F-18 ganhar a concorrência, esse centro de pesquisa e tecnologia vai existir, crescer e trabalhar com muitos parceiros brasileiros. Mas, se o F-18 não ganhar a concorrência, esse centro vai existir do mesmo jeito. A ideia é desenvolver tecnologia nova não apenas para o Brasil, mas para todo o mundo.

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A Boeing acompanhará a visita da Dilma aos Estados Unidos?

Seria natural aproveitar a visita da presidente para falar não apenas sobre a concorrência do FX-2, mas da parceria que o Brasil e os Estados Unidos podem estabelecer na área de aviação, tanto militar como civil, e na área de tecnologia e pesquisa. A primeira coisa que fiz como presidente da Boeing Brasil foi assinar um acordo com a Embraer e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para desenvolvimento de projetos de biocombustível de aviação. A segunda foi entregar o cheque para apoiar o programa Ciência Sem Fronteiras, que beneficia 14 estudantes que estão se especializando em engenharia espacial e aeronáutica. Estamos muito focados neles. Não sou especialista nem na aviação militar, nem civil, mas o que vejo são grandes possibilidades de parceria entre os dois países. O presidente Barack Obama fez uma boa visita aqui no ano passado e acho que agora podemos construir melhor a nossa relação em várias áreas, inclusive na aeroespacial, com a visita da presidente Dilma.

A abertura desse centro pode contribuir positivamente para a concorrência?

Eu entendo a relação, mas acho que são duas coisas diferentes. Uma coisa é transferir tecnologia, outra é desenvolver tecnologia, que é, sobretudo, o que estamos falando. A parte de tecnologia brasileira que vai avançar ainda mais com a questão da FX-2 é uma coisa. Mas a questão do centro envolve outros ares. Isso pode ter impacto na questão de aviões militares no futuro, dentro de muitos anos. Caça é venda e o centro é um investimento.

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