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BNDES cortará crédito em 20% no ano que vem

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o banco de fomento terá recursos de R$ 150 bilhões de reais em 2014; a cifra esperada para este ano é de R$ 190 bilhões

Por Da Redação - 5 nov 2013, 11h32

Os recursos liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2014 deverão ficar em 150 bilhões de reais, cerca de 20% abaixo dos 190 bilhões de reais esperados para este ano. A indicação foi dada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista à agência de notícias �Bloomberg�, num esforço para indicar que a política de repasses aos bancos públicos será desmontada e para recuperar a credibilidade das contas públicas com os investidores estrangeiros e agências de classificação de risco.

Esta sinalização teve início em setembro e passou a ser assumida nas declarações públicas de Mantega e do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a partir de outubro. Coutinho passou a indicar que o banco de fomento concentraria seus esforços no financiamento aos investimentos em infraestrutura.

Para dar conta dos valores recordes de desembolso projetados para este ano, o BNDES precisava continuar recebendo aportes do Tesouro Nacional, para complementar seu capital, mantendo-se a política iniciada em 2009. Os 190 bilhões de reais previstos neste ano exigiriam aporte extra de cerca de 30 bilhões de reais do Tesouro Nacional no segundo semestre.

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Estes recursos seriam adicionais aos 15 bilhões de reais emprestados no fim do primeiro semestre, como uma injeção de capital – melhorando os indicadores de capitalização do banco. No entanto, as críticas do mercado internacional, de economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), bem como a ameaça de rebaixamento por parte das agências de risco, assustaram o governo. Em meados de outubro, Guido Mantega anunciou que a meta do governo era zerar, no futuro, os aportes do Tesouro ao banco de fomento.

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Dívida – Para o economista Gabriel Leal de Barros, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), a declaração do ministro da Fazenda aponta para o fim da política de recomposição de capital dos bancos públicos, “principal responsável por fazer a nossa dívida pública ser o dobro da média dos países latino-americanos”. “A motivação para as declarações é o receio de sofrer um downgrade (rebaixamento na nota de crédito do país dada por agências de risco)”, afirma Barros.

Com a estratégia na berlinda, o Ministério da Fazenda e o BNDES começaram a pensar em alternativas. O objetivo passou a ser receber menos recursos do Tesouro do que os 45 bilhões de reais de 2012. A intenção é baixar o valor do aporte neste segundo semestre para, no máximo, 20 bilhões de reais.

Um primeiro passo foi ampliar a captação de recursos no exterior. Uma operação concretizada em setembro levantou 2,5 bilhões de dólares no mercado internacional. Com isso, os 30 bilhões de reais que faltavam para o BNDES fechar as contas do ano foram reduzidos em 5 bilhões de reais.

O banco estaria estudando ainda “monetizar” alguns de seus ativos (como a carteira de ações da BNDESPar, empresa de participações do banco) para reforçar o seu caixa.

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Custos elevados – Os repasses do Tesouro Nacional para o BNDES começaram em 2009, com um empréstimo de 100 bilhões de reais. No total, 300 bilhões de reais já foram repassados ao BNDES durante esse período. Economistas especializados em dívida pública criticam a estratégia por causa de seus custos, elevados e pouco transparentes.

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Barros, do Ibre/FGV, desconfia da capacidade de reduzir os desembolsos do BNDES em 40 bilhões de reais. O mais provável, segundo ele, seria uma redução menor. Ainda assim, seria preciso diminuir esse montante para dar credibilidade à sinalização das autoridades econômicas do governo.

(com Estadão Conteúdo)

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