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BMW prepara corte de até 8 mil vagas após lucro cair 35%

Programa de desligamento voluntário deve atingir áreas administrativas e de desenvolvimento na Alemanha; postos nas fábricas ficarão de fora

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jul 2026, 13h32
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A BMW prepara o corte de até 8 mil postos de trabalho na Alemanha após registrar uma queda de 35% no lucro antes de impostos do segundo trimestre. A montadora enfrenta a retração das vendas na China, o aumento da concorrência de fabricantes locais e os custos da transição para veículos elétricos.

O número de demissões foi informado à Reuters por uma fonte próxima à empresa. O novo presidente-executivo da BMW, Milan Nedeljkovic, não confirmou a estimativa, mas afirmou que a companhia pretende reduzir custos por meio de um programa de desligamento voluntário negociado com representantes dos funcionários.

O plano deve atingir principalmente as áreas administrativas e de desenvolvimento. Os empregados diretamente ligados à produção não estão incluídos.

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A BMW tem cerca de 160 mil funcionários no mundo. Caso as 8 mil vagas sejam eliminadas, o corte corresponderá a aproximadamente 5% do quadro global da companhia.

Vendas caem 30% na China

O lucro antes de impostos da BMW caiu para 1,7 bilhão de euros no segundo trimestre, ante aproximadamente 2,6 bilhões de euros no mesmo período de 2025.

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A margem operacional da divisão automotiva, que mostra quanto a empresa ganha com sua atividade principal antes de juros e impostos, recuou de 5,4% para 2,3%. O resultado ficou ligeiramente acima dos 2,2% esperados pelos analistas.

Nedeljkovic classificou o desempenho como “não satisfatório”. A BMW atribuiu a queda principalmente ao enfraquecimento de suas vendas na China e ao impacto dos conflitos no Oriente Médio sobre a confiança dos consumidores.

O volume global de veículos vendidos pela montadora diminuiu cerca de 5% no trimestre. Na China, a retração chegou a 30%.

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O país é o maior mercado automotivo do mundo e foi, durante anos, uma fonte importante de receitas para as marcas europeias. Esse espaço passou a ser disputado por fabricantes chinesas que ganharam participação com carros elétricos mais baratos e ciclos mais rápidos de lançamento.

Empresa promete rever estruturas

Além da redução do quadro, a BMW pretende simplificar operações nas áreas de vendas, compras, produção e desenvolvimento. A montadora também vai revisar sua linha de produtos e reduzir a quantidade de versões oferecidas em determinados mercados.

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“Estamos analisando de forma crítica como trabalhamos, incluindo a revisão de processos e estruturas centrais que antes eram considerados intocáveis”, afirmou Nedeljkovic em conversa com investidores.

O executivo não detalhou quais práticas serão alteradas. A empresa afirmou que a reestruturação responde às mudanças tecnológicas na indústria, às incertezas geopolíticas e à transformação do mercado chinês.

A adoção dos carros elétricos avança em velocidades diferentes entre os principais mercados. Na China, esses veículos já ocupam uma parcela relevante das vendas. Nos Estados Unidos, modelos movidos a combustíveis ainda mantêm espaço maior. A diferença obriga as montadoras a sustentar tecnologias distintas ao mesmo tempo.

A BMW manteve sua projeção para 2026. A empresa espera encerrar o ano com margem operacional entre 1% e 3% na divisão automotiva, após ter reduzido as previsões em junho.

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