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Blogueiras contam como funcionam grupos de curtidas do Instagram

Blogueira era obrigada a dar 'like' em cerca de 350 posts por dia para seguir as exigências dos grupos de curtidas

O blog da advogada R. tem mais de 100 mil seguidores no Instagram e outros 200 mil fãs no Facebook. Apesar do sucesso nas redes sociais, ela participou até recentemente de grupos de curtidas no Instagram.

O início dela nesse mundo foi justamente para aumentar seu número de seguidores. “Quando fui convidada pela primeira vez, não tinha ideia de como funcionava. Achei legal experimentar quando me disseram que era uma chance de aumentar o número de seguidores. Isso acontecia porque se uma pessoa com muitos seguidores me curtisse, os fãs dela também passariam a me seguir.”

Ela chegou a participar de quatro grupos de curtidas no Instagram ao mesmo tempo. Isso lhe dava a obrigação de curtir cerca de 350 fotos por dia. O problema é que ela não tinha tempo para curtir tantas fotos manualmente.

“Também passou a me incomodar o fato de curtir foto de perfis com os quais não me identificava. Era uma coisa muito mecânica, desinteressante”, conta ela.

Para piorar, a blogueira diz que passou a ter problemas de relacionamento com participantes dos grupos. “Tinha gente do grupo de curtidas que mandava mensagem no direct perguntando por que não a seguia, já que ela me seguia. Mas eu não tinha vontade de segui-las e ficava chato dizer isso abertamente.”

Ela também se irritava com o descompromisso de alguns participantes do grupo, que não retribuíam os ‘likes’. “Os grupos demoram para perceber quem não segue as regras de curtidas. Até descobrir, essas pessoas recebem muitas curtidas sem curtirem ninguém.’

Por fim, ela desistiu dos grupos e saiu de todos. Também notou que esse sistema de curtidas não traz mais seguidores como antigamente. “Percebo que se recomendo um perfil, a pessoa recomendada ganha poucas curtidas. Se posto o vídeo de alguém, ganho muitos comentários de marcações – uma pessoa marca outra. Mas o dono do vídeo, mesmo citado, não ganha nada.”

A blogueira diz que nunca participou de grupos de comentários – formato que tenta aumentar a relevância da postagem porque acha muito artificial esse tipo de interação. “Não concordo com um comentário forçado, não gosto de ter de escrever algo que não reflete minha ideia.”

Segundo ela, muitos influenciadores recorrem a expedientes artificiais para inflar o número de seguidores para obterem patrocínio de marcas. “Mas esse método também está sendo descoberto. As marcas estão descobrindo que mais importante que as curtidas e seguidores é o engajamento. Não adianta ter um número falso, que não influencia de fato.”

Como funcionam os grupos

Os grupos de curtidas costumam se organizar no WhatsApp e perfis no Instagram. Os administradores do grupo criam hashtags que todos os participantes devem usar em suas postagens. Dessa forma, os participantes identificam os participantes do grupo e curtem as postagens.

Essas hashtags são trocadas periodicamente para evitar que sejam descobertas pelo Instagram ou por invasores – pessoas que não participam do grupo, mas tentam ganhar likes.

Esses grupos costumam trabalhar com regras rígidas: há um limite máximo de postagens diárias que podem usar a hashtag e um prazo máximo para curtir todas as fotos. Se o participante não curtir a foto no tempo determinado pode ser suspenso e, em último caso, expulso do grupo.

“Os grupos parecem seitas, onde as regras são rigorosíssimas para que ninguém receba curtidas sem retribuir. Até acho legal ter regras para que ninguém seja prejudicado, mas isso cria um estresse enorme para as moderadoras e para os participantes”, afirma a blogueira M., de São Paulo.

Há grupos que exigem apenas a retribuição de curtidas. Outros querem que os participantes sigam e curtam. E há os que envolvem seguir, curtir e comentar.

A blogueira chegou a criar um grupo de curtidas. “Meu grupo tinha regras mais flexíveis e para que o grupo fosse feito com parceria.”

Comprando likes

Como curtir manualmente fotos de todos os grupos de curtida dá trabalho, um grupo descobriu como automatizar esse processo. São pessoas que recebem para curtir por você.

Funciona assim: você deixa seu computador ligado à noite toda e dá acesso para uma pessoa remotamente entrar em seu perfil. Essa pessoa cobra uma mensalidade de cerca de 30 reais para curtir as fotos de outros perfis.

A blogueira M. chegou a participar de seis grupos de curtidas ao mesmo tempo, cada um com 200 integrantes. “O lado bom é que você ganha 1.200 curtidas no seu post. Mas aí se dá conta que precisa curtir 1.200 posts em 24h.”

Por isso, segundo ela, fazem sucesso aplicativos e serviços que realizam a tarefa de curtir os posts. “Você pagar um X no mês e recebe o programa. Após cadastrar as hashtags dos grupos no programa, você deixa o computador curtindo as postagens e vai dormir.”

A blogueira afirma o método deixou de fazer sentido com o tempo. “É lindo ter um post mega curtido, mas isso começou a parar de funcionar quando percebi que meu público real não estava preocupado com isso. Ou seja, não eram as curtidas e comentários quase automáticos que chamavam a atenção.”

Ela saiu de todos os grupos há mais de um ano e diz se sentir melhor assim. “Agora sei que meu total de seguidores e de curtidas é real, é meu mesmo. São comentários sinceros. Dessa forma sei medir exatamente meu posicionamento.”