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BIS faz novo alerta sobre endividamento de petroleiras em emergentes

Em relatório, banco não cita nomes de companhias e diz que endividamento do setor de petróleo e gás mais que duplicou em menos de dez anos

Por Da Redação - 19 mar 2015, 15h50

Estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) emitiu o segundo alerta em pouco mais de um mês sobre o expressivo aumento do endividamento das empresas petroleiras. O alerta ocorre em meio à manutenção do preço do barril do petróleo próximo a 50 dólares, menos da metade do pico visto há poucos anos. A preocupação atinge especialmente empresas estatais em países emergentes. A instituição não menciona o nome de nenhuma companhia.

O relatório trimestral do BIS apresenta um estudo feito por Dietrich Domanski, Jonathan Kearns, Marco Lombardi e Hyun Song Shin alertando sobre o endividamento do setor de petróleo e gás mais que duplicou em menos de dez anos. Segundo o estudo, a dívida total da indústria saltou de cerca de 1 trilhão de dólares em 2006 para 2,5 trilhões de dólares em 2014. O BIS funciona como um banco central dos bancos centrais.

A preocupação com a dívida crescente é potencializada pela forte queda do preço do barril da commodity. “A recente queda do preço do petróleo representa um declínio significativo do valor dos ativos que garantem essa dívida, o que introduz um novo elemento para a evolução dos preços”, cita o estudo dos quatro pesquisadores.

“Uma parte substancial do aumento dos empréstimos foi tomada por grandes empresas petroleiras estatais integradas de países emergentes. De 2006 a 2014, o estoque total de empréstimos de empresas russas cresceu a uma taxa anual de 13%. No Brasil, o ritmo foi de 25% e entre as companhias chinesas alcançou 31%”, diz o estudo. Em outros países emergentes, o endividamento cresceu a uma média de 17% por ano.

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Efeitos – O primeiro efeito desse quadro é eventual círculo vicioso de queda do petróleo. O estudo cita que petroleiras endividadas com eventual dificuldade de caixa podem ir ao mercado para vender a produção futura, o que tende a acelerar a queda dos preços. O segundo efeito é mais amplo e se espalha pela economia. “O elevado endividamento do setor também dificulta a avaliação dos efeitos macroeconômicos da queda do petróleo por causa do impacto sobre as despesas de capital e dos orçamentos governamentais”, diz o estudo.

(Com Estadão Conteúdo)

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