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Bilionário Edson Bueno, da Amil, paga R$ 1,8 bi por controle da Dasa

Empresário adquiriu 38% do capital da empresa; conselho da Dasa, no entanto, pede suspensão dos direitos de Bueno sobre a companhia

Por Da Redação 11 fev 2014, 15h52

O fundador da Amil, Edson de Godoy Bueno, é o novo controlador da companhia de medicina diagnóstica Dasa, dona dos laboratórios Delboni. Na segunda-feira, por meio de uma oferta pública voluntária de aquisição (OPA), ele adquiriu 38% do capital da empresa, por 1,79 bilhão de reais, e passou a deter 62,5% das ações. A operação, no entanto, precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Nos Estados Unidos, de onde acompanhou o leilão, ele disse, por telefone, que não terá cargo executivo na companhia (ao menos pelos próximos quatro anos), mas, como investidor, pretende promover a reestruturação da rede de laboratórios. “�Pretendo transformar a Dasa em um dos maiores laboratórios do Brasil. Vou ajudar a montar um time de grandes executivos”, afirmou.�

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Conflito – Para exercer seus poderes de controlador, no entanto, Edson Bueno terá de enfrentar um conflito com o conselho de administração da companhia, que diverge de sua posição e deve exigir que ele realize uma nova OPA, algo a que Bueno vem resistindo. O impasse com o conselho pode evoluir até para um pedido de suspensão dos direitos de Bueno na companhia.

O fundador da Amil já possuía, junto com a ex-mulher, Dulce Pugliese de Godoy Bueno, uma fatia de 23,59% da Dasa. Ao vender sua empresa, em 2012, para a americana United Health, Bueno decidiu investir parte do dinheiro embolsado na rede de medicina diagnóstica, da qual é sócio desde 2010, quando a Dasa incorporou à sua estrutura os laboratórios MD1, que pertenciam à Amil.

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Além do novo controlador, a Dasa tem como acionistas relevantes três fundos: Petros, Tarpon e Oppenheimer Funds. Os três juntos detêm cerca de 25% da companhia e já haviam manifestado que não tinham interesse em participar da OPA.

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O impasse com o conselho gira em torno de uma cláusula chamada ‘�pílula de veneno’ (tradução para poison pill)�. Segundo ela, qualquer acionista que adquirir mais de 15% do capital precisa fazer uma oferta aos outros acionistas, seguindo uma série de regras para definição do preço da ação. A oferta de Bueno no leilão de ontem foi de 15 reais e, em carta ao conselho, ele já afirmou que não pretende fazer uma nova OPA, nesse caso definida como �estatutária�.

Resposta – O conselho ameaça reagir: caso Bueno continue se recusando a cumprir a cláusula, a ata de reunião informa que os conselheiros podem recorrer a um trecho do estatuto que permite convocar uma assembleia geral extraordinária, na qual ele não poderá votar, para deliberar sobre a suspensão do exercício dos seus direitos.

O advogado Erasmo Valladão, sócio do Pereira Neto, Macedo Advogados, emitiu parecer sobre o tema a Edson Bueno. Para ele, não há acionamento da �pílula de veneno� porque Bueno já tinha o usufruto das ações de sua ex-mulher e, junto com ela, já possui 23,59% da Dasa, valor superior aos 15% previstos no estatuto.

Já para o presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais, Mauro Cunha, o conselho está �cumprindo seu dever de guardião do estatuto� e pode levar em frente processo para suspensão dos direitos de Bueno sem grandes barreiras jurídicas.

(com Estadão Conteúdo)

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