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BID: crescimento de 3,6% na América Latina em 2012, se crise não piorar

Em caso de uma nova crise, o impacto será mais homogêneo do que em 2008, embora a recessão tenda a ser mais forte na América do Sul

O crescimento da América Latina será de 3,6% em 2012, se a crise europeia e a desaceleração chinesa não se acentuarem. A informação é do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e foi divulgada neste domingo, em relatório onde a instituição alerta que a região deve se preparar para um cenário pior.

Em um documento divulgado durante a 53ª assembleia anual do BID em Montevidéu, a entidade manifestou seu otimismo em relação às perspectivas da região, mas advertiu para as consequências dos riscos externos e indicou que, se a crise europeia piorar, o impacto atingirá mais fortemente a América do Sul. “Voltou a mudar o padrão da demanda global e os riscos associados à situação econômica mundial. A incerteza é alta e o risco de outra crise, desta vez originada na Europa, aumentou”, ressaltou o banco no relatório “O mundo dos caminhos que se bifurcam, América Latina e Caribe frente aos riscos econômicos globais”.

Para o BID existem dois cenários possíveis: a estabilidade externa que implicaria uma perspectiva otimista para a região ou um agravamento da situação na Europa, arrastando os Estados Unidos, somado a uma desaceleração chinesa, que provocariam una recessão relativamente moderada na América Latina.

Se houver uma crise, o BID ressaltou que o impacto será mais homogêneo do que o do colapso de 2008, com uma desaceleração a uma única velocidade, embora a recessão vá atingir mais fortemente os países da América do Sul.

Em relação aos riscos de um contágio da crise europeia para a região, o BID advertiu para a exposição direta da América Latina aos bancos da periferia da Eurozona, citando a Espanha como exemplo. “Os ajustes nos níveis de capital desses bancos poderá trazer consigo restrições de financiamento”, projetou a entidade de crédito.

Apesar da dívida externa dos países da região ter diminuído nas últimas décadas e ter se estabilizado em 42% do PIB, o BID acredita que aumentaram os déficits estruturais e que a credibilidade fiscal pode ter diminuído.

(Com agência France-Presse)