Bezos e bilionários entram no Liverpool em negócio que avalia clube em mais de US$ 7 bilhões
Consórcio liderado por Amit Bhatia, genro do magnata indiano Lakshmi Mittal, comprará mais de 30% do clube inglês
Por Ernesto Neves
Um grupo de investidores apoiado por Jeff Bezos, fundador da Amazon, fechou acordo para comprar mais de 30% do Liverpool, em uma operação que avalia o clube inglês em mais de US$ 7 bilhões. O negócio transforma o time em mais um exemplo de como os grandes clubes de futebol passaram a ser tratados pelos bilionários como ativos financeiros de alto valor.
A participação será adquirida pela 1892 Holdings, consórcio liderado por Amit Bhatia, genro do bilionário indiano Lakshmi Mittal, dono de um dos maiores grupos siderúrgicos do mundo. O grupo tem entre seus investidores o fundo esportivo da K5 Global, que tem Bezos como principal investidor, e o family office de Elaine e Eduardo Saverin, brasileiro cofundador do Facebook.
A operação ainda precisa passar por aprovações regulatórias. O Fenway Sports Group (FSG), atual controlador do Liverpool, continuará com o controle do clube.
Clube comprado por £300 milhões agora vale mais de US$ 7 bilhões
O negócio chama atenção também pelo retorno obtido pela FSG.
Quando o grupo americano comprou o Liverpool, em 2010, pagou cerca de £300 milhões. Na época, o clube atravessava dificuldades financeiras e havia perdido espaço para rivais como Manchester United.
De lá para cá, o valor do Liverpool disparou.
O principal fator foi a combinação entre desempenho esportivo e crescimento comercial. A contratação de Jürgen Klopp, em 2015, marcou uma mudança importante na trajetória do clube. Sob o técnico alemão, o Liverpool voltou a disputar títulos, venceu a Liga dos Campeões em 2019 e conquistou a Premier League em 2019-20 e novamente em 2024-25.
O sucesso em campo ajudou a transformar o clube em uma potência comercial.
Na temporada 2024-25, o Liverpool registrou mais de £700 milhões em receita, o maior faturamento de sua história.
Por que Bezos está investindo em futebol?
O negócio faz parte de um movimento maior de entrada de grandes fortunas no esporte.
Clubes de futebol deixaram de ser apenas propriedades de empresários interessados em prestígio. Com receitas maiores de televisão, patrocínios, venda de produtos, exploração de marcas e expansão internacional das torcidas, os grandes times passaram a ser vistos também como ativos capazes de ganhar valor ao longo do tempo.
É exatamente o tipo de ativo que interessa a investidores como Bezos: uma marca mundial, com uma enorme base de consumidores e potencial para ampliar receitas fora do mercado doméstico.
A participação no Liverpool também permite ao grupo de investidores exposição a um dos clubes mais conhecidos do planeta sem precisar assumir o controle operacional.
Bezos não terá assento no conselho do Liverpool. Amit Bhatia será vice-presidente do clube.
Liverpool não é o primeiro gigante a atrair bilhões
O negócio acontece em um mercado em que as avaliações dos grandes clubes dispararam.
Em 2022, um grupo liderado pela Clearlake Capital e Todd Boehly comprou o Chelsea por £2,5 bilhões em valor patrimonial.
No ano seguinte, o bilionário britânico Jim Ratcliffe adquiriu uma participação minoritária no Manchester United em uma operação que avaliou o clube em cerca de US$ 6,3 bilhões.
O Liverpool agora se aproxima de uma faixa de valor ainda mais elevada.
A operação também mostra a diferença entre o preço pago pela FSG em 2010 e o valor atribuído ao clube atualmente. O investimento inicial de cerca de £300 milhões se transformou em uma participação que, no novo negócio, corresponde a uma avaliação superior a US$ 7 bilhões para todo o clube.
O que muda no Liverpool
Apesar da chegada dos novos investidores, a operação não deve alterar o comando do futebol.
A FSG continuará responsável pelo controle do clube, enquanto os novos acionistas terão participação econômica e representação no conselho.
O acordo também não prevê, neste momento, uma mudança na estratégia de contratações ou na administração esportiva.
Para os novos investidores, portanto, o negócio é menos uma aposta em mudanças imediatas no time e mais uma aposta na capacidade de o Liverpool continuar aumentando seu valor.
A lógica é semelhante à de outros investimentos em grandes franquias esportivas: comprar uma participação em uma marca já consolidada e capturar a valorização futura do ativo.
Um mercado cada vez mais dominado por bilionários
A entrada de Bezos e Saverin no Liverpool reforça uma transformação no futebol europeu. As equipes mais valiosas estão cada vez mais próximas do universo de private equity, fundos de investimento e grandes fortunas de tecnologia.
Para os donos dos clubes, a entrada desses investidores representa uma fonte adicional de capital e uma maneira de monetizar parte da valorização acumulada.
Para os investidores, o futebol oferece algo raro no mercado: uma marca global com milhões de consumidores extremamente engajados e receitas recorrentes.
No caso do Liverpool, a aposta agora é que o crescimento construído na última década ainda não tenha chegado ao limite.







