Bets ilegais movimentam até R$ 43 bilhões por ano e concentram quase metade das apostas
Mesmo com a nova proibição, o governo terá de impedir que apostadores migrem para plataformas clandestinas, alerta o setor
As bets ilegais movimentam entre R$ 32,9 bilhões e R$ 43,3 bilhões por ano no Brasil, segundo estimativa da LCA Consultoria Econômica encomendada pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR). Elas concentravam de 38% a 44% do mercado antes da medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sexta-feira, 25, para proibir as apostas.
O tamanho estimado desse mercado indica a dificuldade de fazer a proibição valer na prática. A partir de terça-feira, 6 de outubro, os sites e aplicativos das empresas autorizadas deverão sair do ar. O governo diz que também atuará para bloquear plataformas clandestinas e restringir os meios de pagamento usados por elas.
Os valores anuais são uma projeção baseada na repetição do desempenho dos sete primeiros meses no restante de 2026. Não representam, portanto, um balanço de doze meses nem uma previsão do que ocorrerá após a proibição.
Pela mesma conta, a consultoria estima entre R$ 9,1 bilhões e R$ 12 bilhões por ano em arrecadação potencial sobre a atividade ilegal. O valor depende da hipótese de que essa receita passasse a ser tributada à mesma taxa considerada no estudo. A LCA calcula ainda que uma redução de cinco pontos percentuais na participação das plataformas clandestinas, com a transferência dessas apostas para empresas autorizadas, acrescentaria de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,3 bilhão à arrecadação anual.
A fatia estimada do mercado ilegal havia recuado em relação ao levantamento anterior, de 2025, quando variava entre 41% e 51%. Essa comparação também foi feita antes da mudança nas regras. O estudo dimensiona a presença das plataformas clandestinas no mercado regulado, mas não mede como os apostadores reagirão quando os sites autorizados deixarem de operar.







