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BCE financiará bancos, mas pede fortalecimento

Por Barbara Sax - 6 out 2011, 12h26

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, anunciou nesta quinta-feira uma série de operações excepcionais para ajudar no refinanciamento das entidades da Eurozona, e pediu para que elas fortaleçam seus balanços.

A instituição, com sede em Frankfurt, prevê duas operações de crédito ilimitado a 12 e 13 meses em outubro e dezembro. O BCE não havia recorrido à este instrumento excepcional desde dezembro de 2009.

Trichet também anunciou uma reativação do programa de recompra de obrigações garantidas, por um montante total de 40 bilhões de euros, entre novembro de 2011 e outubro de 2012. Tais obrigações estão em sua maioria garantidas por bens imobiliários.

O BCE também manterá “durante todo o tempo possível” ou ao menos até 10 de julho de 2012 seus atuais empréstimos semanais, de volume ilimitado e a taxa fixa, disse Trichet em sua última coletiva de imprensa, antes de passar o cargo para o italiano Mario Draghi, no mês que vem. Antes da crise, essas operações eram de um montante limitado e a taxa era variável.

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Entre janeiro e final de junho de 2012 serão efetuadas também seis operações de empréstimos a três meses, nas mesmas condições que os créditos a uma semana.

O objetivo dessas operações é “garantir que os bancos da Eurozona não fiquem limitados quanto à liquidez”, disse o francês.

Uma falta de liquidez dos bancos poderia traduzir-se em uma contração do crédito, suscetível de estrangular a atividade econômica.

“A situação do setor bancário requer uma atenção particular”, disse Trichet, em pleno debate na Eurozona sobre a necessidade de recapitalizar os bancos, ante sua exposição à dívida dos países mais frágeis da Eurozona.

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O BCE “pede aos bancos para que façam tudo o que for necessário para reforçar seus balanços”, utilizando para isso seus lucros, ou pagando salários “moderados”, disse Trichet.

“Quando for preciso, deveriam aproveitar plenamente as medidas de apoio dos governos”, disse.

Trichet considerou ainda que não é o BCE que deve financiar o fundo europeu de resgate, mas sim os governos da Eurozona.

Alguns dirigentes europeus haviam proposto que o BCE contribuísse para financiar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), que possui atualmente a capacidade de emprestar até 440 bilhões de euros a países da Eurozona.

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