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BCE defende pacto por crescimento sem renunciar a ajuste orçamentário

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, defendeu nesta quinta-feira que o “crescimento” não será prejudicado pelo ajuste exigido aos países da zona do euro, cujas economias continuam preocupando os mercados.

“Os últimos indicadores disponíveis da zona do euro mostram que a incerteza predomina”, afirmou Draghi em sua coletiva de imprensa mensal após a reunião de governadores do BCE, celebrada nesta quinta-feira em Barcelona.

De acordo com Draghi, isso será levado em conta nas próximas previsões do BCE em junho, mas “a atividade econômica deve reagir pouco a pouco no decorrer do ano”.

O presidente reforçou em seu discurso a necessidade de colocar o crescimento no centro da agenda. “Deter o ajuste orçamentário não seria de grande ajuda”, afirmou, uma semana depois de ter proposto um pacto de crescimento.

Segundo Draghi, é preciso que sejam facilitadas as atividades dos empreendedores, porque, para ele, “a criação de novas empresas e a criação de empregos é crucial”.

“É preciso aumentar a flexibilidade, aumentar a mobilidade e, em terceiro lugar, é preciso aumentar também a justiça no mercado de trabalho”, disse.

O presidente do BCE ressaltou ainda a necessidade de “aumento do crescimento e do potencial do crescimento econômico na Europa através de reformas estruturais, de emprego e de criação de empresas”.

“Foram feitos progressos em numerosos países, mas alguns governos devem ser mais ambiciosos para reduzir seus déficits e estimular o crescimento”, completou Draghi.

De acordo com o presidente, as últimas estatísticas disponíveis mostram que a incerteza predomina na economia da zona do euro, que havia se “estabilizado”, ainda que a um “nível baixo” durante o primeiro trimestre.

Em suas últimas previsões de março, o BCE previa uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,1% este ano e de um crescimento de 1,1% em 2013.

Os principais riscos são de “uma intensificação das tensões nos mercados da dívida da zona do euro e suas potenciais repercussões na economia real, assim como novas altas dos preços das matérias-primas”, segundo o BCE.

Draghi, por outro lado, insistiu que “a taxa de inflação deve permanecer em torno de 2% em 2012”, respeitando assim a meta da instituição monetária de um aumento dos preços inferior a 2% no longo prazo.

A falta de anúncios excepcionais do BCE para combater a crise decepcionou os mercados. Após o anúncio, as principais bolsas europeias fecharam próximas da estabilidade.

Na Bolsa de Londres, o índice FTSE-100 dos principais valores subiu 0,15% e fechou aos 5.766,55 pontos. O IBEX 35 da Bolsa de Madri fechou em alta de 0,29%, aos 6.851,90 pontos. Já o DAX, principal índice da Bolsa de Frankfurt, fechou em queda de 0,24%, aos 6.694,44 pontos.

Na Bolsa de Paris, o CAC 40 perdeu 0,09% e encerrou aos 3.223,36 pontos.