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BC volta a intervir no mercado de câmbio

Por Fernando Nakagawa e Cristina Canas

Brasília – O Banco Central voltou a intervir no mercado cambial nesta sexta-feira quando as cotações estavam prestes a atingir R$ 2,06. Em um quadro de ansiedade pela crise europeia, a moeda subiu rápido mesmo sem grandes novidades no noticiário e o BC decidiu atuar com um leilão que equivale à venda de dólares no mercado futuro, operação que não era realizada desde 28 de outubro. A intervenção fez com que a disparada diminuísse e a moeda terminou o dia 1,05% mais cara, cotada a R$ 2,02.

Eram 15h42 quando o Banco Central avisou aos bancos e corretoras que voltaria a vender dólares. O anúncio foi feito logo após a moeda atingir o preço máximo de R$ 2,0570. A intervenção ocorreu com a venda de contratos financeiros chamados de “swap cambial” – operação no mercado futuro que equivale à venda de dólares que, neste caso, são para 1.º de junho.

Na transação, o Banco Central conseguiu emitir todos os contratos oferecidos em montante que equivale à venda de US$ 654,3 milhões.

A demanda foi elevada e 30% das propostas tiveram de ser descartadas. Portanto, esses interessados, que ofereceram preço menor no leilão pelos dólares, não foram atendidos.

O interesse por esse tipo de contrato acontece especialmente entre investidores que temem a alta da moeda norte-americana. Nessa operação, o comprador fica protegido das variações cambiais até o fim do contrato.

Contratos futuros

Além de atender a demanda por proteção, a oferta também tenta anular a pressão de compra de cerca de US$ 600 milhões que vai ocorrer no fim do mês quando vencem outros contratos futuros. Com a operação desta sexta-feira, o Banco Central vendeu antecipadamente o valor que será demandado em 1.º de junho.

“A operação foi providencial porque o dólar estava subindo no vazio. Não tínhamos notícias novas que respaldassem alta tão rápida. O governo já mostrou que a cotação a R$ 2 é confortável, mas o BC também não quer nada muito exagerado porque pode gerar inflação”, disse o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel.

Para Battistel, a intervenção no fim dos negócios é um sinal de que o Banco Central estará atento ao mercado e quer evitar volatilidade demasiada. “Temos de esperar a próxima semana, mas as últimas deram a impressão de que o governo quer estabelecer um piso em torno de R$ 1,90 e um teto pouco acima de R$ 2 para o dólar”, disse o gerente de câmbio.

Estresse

O agente associado da Icap Brasil, Filipe Brandão, ressalta que o mercado está estressado e vivendo perdas há “um bom tempo”. Segundo ele, a marca de R$ 2 é importante “e o que preocupa, mais do que os fluxos, é o cenário que é muito ruim”. De acordo com Brandão, “está havendo um reposicionamento dos investidores e os movimentos de tensão se realimentam”. “Quanto mais tempo o dólar fica nesse nível, mais nervosismo se cria”, observou Brandão. Historicamente, o Banco Central afirma que atua para evitar essas oscilações bruscas.As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.