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BC vê nível ‘moderado’ de concentração após venda do HSBC

Para autoridade monetária, sistema bancário nacional está apto a absorver compra do HSBC Brasil pelo Bradesco, anunciada nesta segunda-feira

A venda do HSBC Brasil para o Bradesco, anunciada nesta segunda-feira, aumentará a concentração bancária do país, mas, segundo o Banco Central (BC), ainda ficará em um nível considerado “moderado”. “O negócio é complexo, mas o sistema está apto a absorver essa operação, sem alterar de forma relevante esse nível de concentração”, disse o assessor do Departamento de Organização do Sistema Financeiro do BC, Elker de Castro.

Para se chegar ao tamanho da concentração de mercado, os técnicos do BC usam uma escala técnica, o Índice de Herfindahl Hirschman (IHH), que é obtido pela soma dos quadrados das fatias de mercado de empresas de determinada área. De zero a 1.000 pontos, há baixa concentração de mercado; de 1.000 a 1.800 pontos, há moderada concentração e, desse nível para cima, o mercado é altamente concentrado.

Segundo o BC, o negócio com o HSBC não fará com que, globalmente, se supere a marca de 1.800 pontos, ainda que fique mais próximo dele. No mais recente Relatório de Estabilidade Financeira (REF) de março, o IHH do segmento financeiro brasileiro estava em 1.376 no caso de ativos totais, 1.645 no de operações de crédito e em 1.638 quando a avaliação é sofre depósitos totais.

Em nota, o BC informou ontem que a operação terá de ser aprovada pela instituição, “condição imprescindível para que o negócio seja concluído”. “O Banco Central analisa a viabilidade do empreendimento e o impacto da operação sobre a estabilidade do SFN e sobre a concorrência”, informou a entidade.

O Bradescou anunciou a compra do HSBC Brasil por 5,2 bilhões de dólares. Com o negócio, o Bradesco passa a ter 30 milhões de clientes e cerca de 1,2 trilhão de reais em ativos, se aproximando do Itaú, maior banco privado do país.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente do Bradesco, Luis Carlos Trabuco, disse que a compra do HSBC permite uma expansão imediata, que se, fosse feita a conta-gotas, levaria pelo menos dez anos para ser concretizada. “É bom entender que o crescimento orgânico sozinho é difícil, é demorado, tem tempo. Agora, a aquisição nos faz crescer mesmo em meio à queda da atividade, porque os ativos e os empréstimos estão lá”, disse o executivo.

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(Com Estadão Conteúdo)