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BC vê chance maior de inflação estourar meta em 2011

Por Da Redação 22 dez 2011, 13h37

BRASÍLIA (Reuters) – O Banco Central trabalha com uma previsão de crescimento para 2012 abaixo do estimado pelo próprio governo e acredita que são maiores as chances de a inflação estourar o teto da meta oficial do que ficar dentro do intervalo em 2011. O BC, porém, vê novas pressões inflacionárias no início de 2013 e não descarta futuros aumentos na taxa básica de juros.

O Relatório Trimestral de Inflação do BC, divulgado nesta quinta-feira, reiterou a perspectiva de que os juros continuarão caindo no início do ano que vem, mas manteve a divergência entre economistas sobre a quantidade de cortes.

Para o ano que vem, o BC projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5 por cento, mas reduziu a conta para 2011 de 3,5 para 3 por cento. Esse movimento, segundo informou a autoridade monetária, reflete, em parte, “os efeitos observados das ações de política monetária entre o final de 2010 e meados de 2011.”

O BC está menos otimista do que o próprio governo, sobretudo para 2012. Oficialmente, o governo ainda acredita que a economia terá expansão de 3,8 por cento em 2011, apesar de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter dito que deve ficar próxima a 3,2 por cento. Para 2012, a conta oficial é de uma expansão de 5 por cento, mas o próprio Mantega já previu um intervalo de 4 por cento a 5 por cento.

No terceiro trimestre deste ano, a economia ficou estagnada, segundo informou recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Dado o contexto global e as ações necessárias e implementadas no início do ano, a economia terminar (o ano) com taxa em torno de 3 por cento é um resultado bastante interessante”, disse o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton, em entrevista para comentar o Relatório Trimestral de Inflação.

ESTOURO DA META

No relatório, o BC revelou ainda que vê maiores chances neste ano de estourar a meta de inflação – de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Agora, essa probabilidade passou de 45 para 54 por cento, no cenário de referência. No cenário de mercado, ela é de 55 por cento.

Apesar de acreditar numa possibilidade maior de a meta não ser cumprida, o BC sustentou que a inflação ficará em 6,5 por cento em 2011, exatamente no teto do objetivo oficial. “É o melhor número que temos neste momento”, disse Carlos Hamilton.

Em 2012 e em 2013, a previsão é de 4,7 por cento, 0,2 ponto percentual acima do centro da meta. Para o ano que vem, a probabilidade de estouro da meta é de apenas 10 por cento.

Na visão da autoridade monetária, a inflação já começa 2012 desacelerando e chegando, no acumulado de 12 meses, a 5,9 por cento e 5,6 por cento, no primeiro e no segundo trimestre, respectivamente. Esses dados estão dentro do cenário de referência.

Hamilton admitiu que a expectativa de um crescimento econômico mais forte na segunda metade do ano que vem pode pressionar a inflação em 2013. “Na medida em que esse cenário se confirme, de atividade mais forte no segundo semestre de 2012, é compatível com esse cenário pressões mais fortes no início de 2013”, disse.

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Diante desse cenário, o BC não descarta futuros aumentos na taxa básica de juros (Selic). “Nós estamos olhando para 2013. Em 2013, a projeção está apontando inflação em alta e, caso esse cenário se confirme nós vamos tomar as providências necessárias…se for necessário vai haver aumento da taxa de juros”, afirmou o diretor do BC.

DIVERGÊNCIAS

As informações do BC não sanaram as divergências que já existiam no mercado sobre a extensão do processo de alívio monetário iniciado em agosto passado.

Para o economista-chefe da corretora Raymond James, Mauricio Rosal, o relatório passa “uma mensagem mais dura, pelo fato de as projeções não indicarem inflação no centro da meta mesmo com a manutenção da Selic no atual patamar de 11 por cento ao ano no cenário de referência.”

Na opinião de James, “as projeções, apesar de revisadas para baixo, mostram que tanto na trajetória de mercado quanto na de referência, e considerando o horizonte de política monetária, que ele não tem muito mais espaço para baixar juros”.

As projeções no mercado de juros futuros operavam em alta, indicando menor probabilidade de um ciclo prolongado de corte da Selic em 2012. O movimento era causado também pela queda do desemprego a 5,2 por cento em novembro, menor resultado já registrado na série histórica iniciada em 2002 do IBGE.

Mas, para o Santander, o relatório foi “dovish” (indicando redução dos juros) em comparação com a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom): “o relatório mencionou explicitamente o risco de um evento de crédito na zona do euro”, afirmou o economista da instituição Mauricio Molan em nota.

A mediana das projeções do último relatório Focus do BC indica que o mercado aposta em baixa da Selic a 9,5 por cento em 2012, mas muitos analistas esperam queda menor, a 10 por cento.

Para o BC, o cenário econômico global apresentou deterioração nos últimos meses, e as condições mais restritivas no exterior tendem a permanecer por mais tempo do que se previa.

O economista sênior do Espírito Santo Investment Bank Flavio Serrano afirmou que o relatório trouxe uma avaliação de que os riscos de inflação são menores do que no documento anterior, de setembro, mas ressalvou que o mercado pode divergir mais sobre o rumo da Selic.

“Você pode ter o mercado um pouco mais cauteloso. Mas, se pensar no teor das palavras, você vai ver que os riscos implícitos da inflação são melhores do que o relatório anterior. Você não pode falar que é um relatório ‘hawkish’. Ele é neutro”, afirmou Serrano.

(Reportagem de Tiago Pariz, Silvio Cascione e Leonardo Goy; Edição de Hélio Barboza)

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